terça, 29 de setembro de 2020

Paraíba
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DNIT não vai instalar lombada eletrônica em ‘trecho da morte’ da BR 230

Lucilene Meireles / 19 de outubro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
 

Mesmo com os acidentes frequentes no km 3,8 da BR-230, estrada de Cabedelo, não há previsão de instalação de lombadas eletrônicas. A informação foi repassada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes na Paraíba (Dnit-PB). Na segunda-feira, um ciclista foi atropelado e morto e morte por uma BMW conduzida em alta velocidade. O motorista, preso em flagrante, foi liberado após pagamento de fiança de R$ 5 mil.

A população reclama que, no contorno onde houve o acidente, não há faixa de pedestre e nem passarela. Além disso, as lombadas eletrônicas ficam distantes e não flagram o excesso de velocidade que, apesar de ser 80 km/hora, é desrespeitado pelos condutores. “Eu já tinha visto, há alguns dias, esse carro voando na pista. Passou por mim e não estava com menos de 200 km/h”, afirmou o motorista alternativo Francisco de Araújo.

O Serviço de Operações da Superintendência do Dnit informou que o projeto de adequação de capacidade da rodovia, que abrange o trecho do km 0 até km 28,1, prevê melhorias, mas não inclui a instalação de uma nova lombada. O órgão informou que existem dois equipamentos nas imediações, um no km 1,95, mais próximo ao local, e a outra no km 5,85, que seguem parâmetros criteriosos do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Em nota, o Dnit informou que não há previsão de instalação de lombada nesse local. No entanto, todo trecho da rodovia BR-230/PB entre o km 0 e o km 28,1 será alterado com a adequação de capacidade, cujo processo licitatório está em andamento. A adequação de capacidade prevê a construção de uma terceira faixa, viadutos, passarelas, novos acessos e ciclovia entre Cabedelo e a Avenida Flávio Ribeiro Coutinho.

Para isso, conforme o comunicado, serão elaborados novos estudos técnicos para implantação de equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade. Sendo assim, os pontos onde existem equipamentos instalados hoje poderão ser alterados. As lombadas eletrônicas são instaladas em locais definidos após a elaboração de estudos técnicos criteriosos, considerando a natureza dos acidentes e o histórico do local, conforme determina a Resolução Contran n.º 396/11.

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Dor e revolta no velório

Além da revolta por saber que o acusado da morte do jovem está em liberdade, os familiares afirmaram, durante o velório, que não se conformam com a oferta de dinheiro feita pelo advogado do condutor do veículo. Ana Lúcia Paulino, tia de Marcelo, relatou que, na delegacia, o advogado do motorista da BMW ouviu a oferta.

“Ele perguntou se a gente queria dinheiro, e eu disse que dinheiro nenhum paga a vida dele. O advogado deu a entender que era porque sabia que Marcelo contribuía para sustentar a casa, e essa seria uma forma de ajudar a família. Só que a gente entendeu que, na verdade, seria um jeito de calar a nossa boca”, afirmou Ana Lúcia.

O velório de Marcelo, que tinha 20 anos, ocorreu em clima de comoção, numa igreja próximo à sua casa, no bairro Camboinha II, em Cabedelo. Amigos e parentes fizeram questão de dar o último adeus. No muro, foi pintada a hashtag #somostodosmarcelo. O jovem foi enterrado no Cemitério da cidade.

A mãe precisou ser amparada pelos familiares. “Uma mãe nunca está preparada para perder um filho. Ele era tudo para mim”, disse, entre lágrimas, Maria da Glória Silva. A delegada do caso, Deiby Ismael, informou que o empresário responderá por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Marcelo trabalhava como garçom em um restaurante e voltava para casa quando foi atropelado. Ele estudava no Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e sonhava ser marinheiro.

“O que mais nos faz sentir injustiçados é que um policial que estava no local na hora do acidente disse que o motorista não tinha intenção de matar. Só queria testar o motor do carro. Os policiais não respeitaram a família, jogaram spray de pimenta, atiraram com balas de borracha e o acusado ainda saiu escoltado para a delegacia”Vaniele Duarte, prima da vítima.

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