segunda, 25 de janeiro de 2021

Paraíba
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Crianças ganham novo lar e o amor de uma família

Bruna Vieira com assessoria / 18 de fevereiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
O Conselho Nacional de Justiça divulgou os dados de adoção no país. Na Paraíba, 25 crianças ganharam um novo lar no ano passado, o terceiro Estado com mais adoções no Nordeste, atrás apenas de Pernambuco (103) e Ceará (52). O número de casais interessados é quase oito vezes maior que a quantidade de crianças e adolescentes disponíveis, mas, o perfil dos acolhidos não corresponde às características desejadas pelos novos pais. Essa é a maior dificuldade para concretizar as adoções.

Em todo o país, 1.226 crianças e adolescentes foram adotadas através do Cadastro Nacional de Adoção, a maior parte no Sul e Sudeste. Outras 7.158 aguardam na fila pelo interesse de 38 mil casais. Apesar da diferença, muitas adoções não se concretizam porque os perfis não se encaixam. O juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude de João Pessoa, Adailton Lacet explicou que as adoções estão ocorrendo de forma ágil. “Essa semana foram oito, a fila está andando e em março teremos mais. Nem todas as crianças acolhidas estão disponíveis para adoção. Às vezes está sendo trabalhada a reintegração à família natural (pais) ou ampliada (parentes). Em outros casos estamos trabalhando a destituição do poder familiar. Há ainda, adolescentes que não querem ser adotados”, destacou.

Segundo Lacet, há crianças a partir de cinco anos de idade nas oito casas de acolhimento municipais e duas de ONGs. Mas, o interesse dos casais é por crianças mais novas. “Querem outro tipo, de sexo e idade diferentes. A preferência é por meninas. Temos irmãos também, que é uma questão muito delicada. A preferência é que sejam adotados pela mesma família, pois, separar é um trauma muito grande e muitas vezes, a pessoa não quer levar três crianças de uma vez. Já tivemos casos de oito irmãos. Só excepcionalmente separamos”, explicou.

Preconceito. O juiz alertou que o preconceito ainda é uma barreira para as adoções. “O Cadastro Nacional de Adoção é um mecanismo de intercomunicação nacional, se não há crianças nas características buscadas pelos casais, a gente procura saber se em outros estados há. Isso facilita as adoções. Infelizmente ainda existe estigma. Alguns buscam da própria etnia. No Paraná e Santa Catarina são facilmente adotadas por gente de outros locais, por serem brancas, loirinhas e do olho azul.

A juíza titular da 1ª Vara de Infância e Juventude de Curitiba (PR), Lídia Guedes confirmou que há muitas adoções de outros estados da federação. “O CNA tem um papel importante, aqui há muitas crianças que não teriam sido adotadas sem ele. A maioria dos pretendentes não aceita crianças com problemas de saúde não-tratáveis”, afirmou. No Paraná, a busca ativa por casais de outros estados permitiu a adoção de uma criança com problemas cardíacos e pulmonares por uma família do Mato Grosso e dois irmãos, um deles autista.

Em Pernambuco, o Tribunal de Justiça criou o “Projeto Família”, que faz busca ativa de famílias brasileiras e estrangeiras quando as crianças cadastradas no CNA há mais de 30 dias não foram adotadas. Três famílias italianas adotaram irmãos, comprometendo-se a manter o vínculo entre elas.

Em João Pessoa

80 acolhidos

24 disponíveis para adoação

194 pessoas habilitadas a adotar

10 casas de acolhimento

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