terça, 19 de janeiro de 2021

Paraíba
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‘Baleia azul’ vira oficialmente caso de polícia

Ainoã Geminiano / 22 de abril de 2017
Foto: Divulgação
A Polícia Civil recebeu na última quinta-feira a primeira denúncia formal de um pai de adolescente envolvido com o jogo da Baleia Azul. Esta semana, o Correio trouxe matéria falando da dificuldade dos investigadores em chegar aos responsáveis pela propagação do jogo suicida aqui na Paraíba, porque os pais estavam se recusando a procurar uma delegacia para denunciar, para não expor os filhos a possíveis represálias, já que os curadores (responsável pelo jogo, que determinam as tarefas a serem cumpridas) do jogo fazem ameaças a quem desistir ou denunciar. Mas, um pai resolveu fazer diferente e procurou uma delegacia distrital da Capital para fazer denúncia.

Até o fechamento desta edição, o superintendente regional da PC, Marcos Paulo Vilela não foi localizado para dizer o procedimento que será adotado com a denúncia, se será investigada na mesma delegacia distrital onde foi registra ou se será iniciada uma apuração em caráter extraordinário, dada a repercussão do jogo da Baleia Azul.

Já o coronel Arnaldo Sobrinho, que é coordenador do Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop) e membro da Associação Internacional de Prevenção aos Crimes Cibernéticos, que foi o responsável por lançar o alerta contra o jogo na Paraíba, encaminhou esta semana relatórios às polícias Civil e Federal, com os casos catalogados, entre os dias 10 e 18 deste mês. Na próxima semana, um novo relatório será feito, atualizando o número de casos.

Semelhança com o golpe. O detalhe do jogo da Baleia Azul, que faz os pais não quererem denunciar é que os curadores fazem ameaças aos adolescentes que entram no jogo, dizendo que matarão parentes próximos ou os próprios participantes, caso desistam do jogo, usando para se tornarem convincentes o argumento de que sabem todas as informações sobre a família. “Não há uma forma mágica ou um truque de internet que leve esses curadores a saber de informações das famílias. Assim como acontece com o golpe do falso sequestro, feito por telefone, em conversas com os próprios jogadores, os curadores vão conseguindo extrair informações, ao ponto de terem argumentos suficientes para fazer ameaças convincentes. Mas normalmente são pessoas que estão distantes e que não teriam meios de cumprir com as ameaças”, explicou o coronel Arnaldo. Se por um lado os curadores originais são pessoas que estão distantes, usando a internet para promover o jogo, por outro lado, a repercussão que a Baleia Azul ganhou em poucos dias pode abrir espaço para oportunistas se dizerem curadores, criarem grupos e passarem a ameaçar ou praticar bullying com adolescentes locais. É o que pode estar acontecendo na cidade de Alagoa Grande, onde o filho de um pastor teria criado um grupo no WhatsApp e estaria replicando o jogo entre adolescentes da cidade.

“Recebemos essa denúncia, inclusive com prints e áudios, repassados pela mãe de uma das vítimas, que identificam o suspeito. Estamos encaminhando o caso para que a polícia judiciária investigue. Esse suspeito também seria um adolescente e essa pode ser uma forma de ele se sentir poderoso, exercendo controle e impondo medo em outros adolescentes. Mas vamos aguardar se a denúncia se confirma”, acrescentou Arnaldo.

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