terça, 21 de maio de 2019
Paraíba
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Apadrinhamento já beneficiou 27 crianças e outras 63 estão aptas

Aline Martins / 23 de dezembro de 2018
Foto: Assuero lima
“Todas as vezes que eu chegava no abrigo, D* ficava o tempo inteiro no meu colo e o meu filho nunca teve ciúmes, pelo contrário ele me perguntava porque eu não a adotava só assim ele teria uma irmã. A relação sempre foi e é muito boa entre meu filho e as crianças. Isso ajudou muito também na minha casa”. O comentário é da administradora Fabiana Figueiredo Fabrício, que já apadrinhou quatro crianças que vivem em Casas de Acolhimentos, em João Pessoa. O apadrinhamento, que não tem ligação jurídica diferentemente da adoção, é uma modalidade que ajuda crianças e adolescentes que estão provisoriamente em instituições de acolhida. São 63 meninos e meninas aptas a receberem carinho ou atenção de alguém que possam ajudar emocionalmente, financeiramente ou profissionalmente. Desde a criação do Núcleo de Apadrinhamento Afetivo Sorriso Infantojuvenil (Napsi), da 1ª Vara da Infância e da Juventude da Capital, já foram 27 crianças beneficiadas.

Tudo começou, no caso da administradora Fabiana Figueiredo Fabrício, após uma visita feita a um dos abrigos localizados em João Pessoa. “Eu caí de paraquedas. Uma amiga tinha uma afilhada e ela estava um pouco preocupada porque a menina estava um pouco triste e ela queria vê-la. Só que não tinha como ir. Eu me ofereci para levá-la de carro. Eu já tinha ouvido falar do apadrinhamento e até mesmo ouvi algumas histórias, só que nunca tinha ido. Quando cheguei na casa, percebi a carência daquelas crianças. Eu lembro como hoje. Eu estava com um caderninho e uma caneta nas mãos e foi uma disputa entre eles para desenhar algo para mim naquele caderninho. Aquilo ali me desmontou. Na época meu filho tinha 8 anos de idade e ele tinha de tudo: brinquedos, casa, carinho... E aquelas crianças não tinham…”, relatou.

A primeira criança que apadrinhou foi uma menina, a que vivia o tempo inteiro no seu colo, quando a administradora chegava. Hoje a pequena está em um processo de adoção por uma outra família. Nessas circunstâncias, a relação de apadrinhamento é distanciada para que não ocorra nenhuma influência com a situação dos pais adotivos. Geralmente quando Fabiana levava a afilhada para o passeio, levava junto o irmãozinho dela. Assim foi também com as outras crianças que foi madrinha afetiva. Hoje, mantém mais o apadrinhamento social. Fabiana Figueiredo comemora o aumento de voluntários nesse trabalho de amor ao próximo. “A experiência é muito boa e recomendo. Só quem sabe, é quem vive esses momentos”, frisou.

Candidatos são avaliados



Desde que o Napsi foi criado, no ano passado, 27 crianças e adolescentes, segundo o juiz titular da 1ª Vara da Infância e Juventude da Capital e idealizador do projeto, Adhailton Lacet Porto, foram apadrinhadas. Disse ainda que a avaliação dos pretendentes é feita calmamente e com cuidado. O juiz explicou o que é ser padrinho e madrinha. “O apadrinhamento é uma das modalidades em que a pessoa que não pretende adotar, pode visitar as instituições de acolhimento, conhecer uma criança ou adolescente e levá-la para casa nos finais de semana, nos feriados, nas férias escolares para que ela possa ter uma convivência familiar e comunitária fora do ambiente de abrigamento”, disse.

Podem ser padrinhos e madrinhas pessoas acima dos 18 anos de idade e que não tenha nenhum processo criminal (não exista antecedentes criminais).

Os interessados passam por uma avaliação da equipe multidisciplinar (psicóloga e assistente social). Após isso, a pessoa é cadastrada e recebe uma carteira. Após isso começam as visitas às instituições de acolhimento. Existem três modalidades de apadrinhamento: afetivo (que tenha convivência, que ajude e que leva para casa); social ou profissional (que é quando o padrinho ou madrinha é um profissional e deseja prestar algum serviço na área médica, por exemplo, para as crianças e adolescentes); e financeira (pode ser pessoa física ou jurídica que quer contribuir com o futuro da criança, podendo ou não vê-la).

Como ser padrinho



Procurar o Fórum da Infância e Juventude, que fica na Avenida Rio Grande do Sul, 956, no Bairro dos Estados, em João Pessoa. “Nós temos uma psicóloga que está coordenando o Napsi e ela solicitar uma documentação a essa pessoa que irá se submeter a uma entrevista. Depois nossa equipe vai visitar a casa dessa pessoa e fazer essa triagem e assim ela será considerada apta a ser padrinho ou madrinha”, revelou o juiz.

Diferenças entre adotar e apadrinhar



O juiz Adhailton Lacet Porto explicou que o objetivo da adoção é trazer para o seio de uma família mais um integrante em caráter definitivo. “Vai ser seu filho para o resto da família”, frisou.

Já o apadrinhamento é em caráter provisório. “Você pode apadrinhar por um mês, dois meses, um ano e depois você pode desistir. Não há problema nenhum. Como pode ficar apadrinhando até alcançar a maioridade, mas sem nenhum vínculo jurídico”, afirmou, destacando que a criança pode ser adotada por outra pessoa caso ela seja apadrinhada por alguém e que esteja na lista de adoção. Podem ser apadrinhadas crianças acima dos 8 anos.

“O Estatuto da Criança e do Adolescente disse que fica a critério do juiz. Nós começamos esse projeto bem antes da autorização do eca, pois o Estatuto da Criança 4e dos Adolescente foi alterado em novembro de 2017, através da lei 13.509. Ela instruiu no Estatuto, o apadrinhamento afetivo e a gente começou desde abril de 2017”, afirmou.

Em princípio são as crianças não disponíveis a adoção. “Mas, se porventura, aquela criança com pouca ou nenhuma possibilidade de adoção, se um dia na fila do Cadastro Nacional de Adoção, no futuro, não quiser, o padrinho depois, se tiver interesse, pode se cadastrar desde que não tenha ninguém interessado naquela criança”, frisou o juíz Adhailton Lacet Porto.

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