terça, 26 de janeiro de 2021

Paraíba
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6ª edição do Encontro de Juremeiros e Benzedeiros da Paraíba é neste domingo

Celina Modesto / 07 de abril de 2017
Foto: Divulgação
 

No próximo domingo, será realizada a sexta edição do encontro de Juremeiros e Benzedeiros do estado da Paraíba no Centro Cultural de Mangabeira, em João Pessoa. A expectativa da organização é que cerca de dois mil religiosos de diversas localidades do país participem do evento, que terá início às 8h e encerramento às 15h. Para participar do evento, basta levar 1 kg de alimento não perecível. Nesta edição, os juremeiros vão discutir a intolerância religiosa.

De acordo com o Pai Beto de Xangô, guardião da jurema sagrada e organizador do encontro, o município de Alhandra é considerado o berço da religião. “Porque a jurema se iniciou na Paraíba precisamente em Alhandra, por volta de 1901, e lá os costumes de tradições se perpetuaram até os dias de hoje”, explicou. A jurema é uma religião afro indígena e que já era cultuada no país antes da chegada dos portugueses.

No entanto, seus praticantes sofrem preconceito e perseguições até hoje. “A jurema não é umbanda, pois já existia antes da diversidade cultural e religiosa do nosso país”, frisou. Neste sentido, a discussão acerca da intolerância religiosa torna-se bastante pertinente, de acordo com Pai Beto. “Sofremos intolerância religiosa cotidianamente e de todas as maneiras possíveis. Eu mesmo sofri recentemente numa agência bancária. No entanto, em vez de brigar, preferi resolver verbalmente. Somos a favor da paz”, afirmou.

Para discutir a questão, o encontro realizará palestras e debates para discutir as melhores formas de abordar a intolerância religiosa no cotidiano. “Percebemos que o preconceito, racismo e intolerância caminham ao lado da desinformação. As pessoas esquecem as outras religiões brasileiras. Acredito que existe uma dívida imensa da nação brasileira e do governo federal com as comunidades tradicionais, não somente o povo indígena, mas também quilombolas e outras etnias”, disse.

Ainda, Pai Beto comentou sobre o preconceito dos dias atuais, que ele classificou como “maquiado”. “É muito complicado porque antes era mais objetivo, já que havia a escravidão. Hoje, é disfarçado. Em pleno século 21, as pessoas continuam julgando seus irmãos pela cor, religião, maneira de se vestir, orientação sexual e a lei da intolerância religiosa, em minha opinião, reforça isso. Viver num país em que temos de ter uma lei para sermos tolerados é um massacre psicológico muito grande. Queremos ser respeitados, não tolerados”, frisou.

PARA GRÁFICO:

Programação:

8h: abertura religiosa

8h30: abertura oficial

9h: programação cultural grupo de capoeira raízes do Brasil

9h20: pronunciamento do babá OBADIMEJI Pai Beto de Xangô – guardião da jurema sagrada

10h: mesa de debates: a luta contra a intolerância religiosa

11h30: programação cultural = grupo raízes parahyba

11h45: almoço

13h: apresentação cultural maracatu nação pé de elefante

13h30: toque de jurema

15h: encerramento

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