quarta, 19 de dezembro de 2018
Paraíba
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100 anos de Teotônio Neto, o fundador do Jornal CORREIO

Adriana Rodrigues / 28 de novembro de 2018
Foto: Arquivo pessoal
Um dos paraibanos mais influentes dos séculos XX e XXI completa hoje 100 anos de vida. Trata-se do empresário e ex-deputado federal Teotônio Neto, fundador do jornal CORREIO, e que será homenageado hoje, por familiares e amigos, em cerimônia religiosa, seguida de um jantar, em sua residência no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

A comemoração familiar está sendo organizada pela filha do aniversariante, Anna Giovanna Teotônio, com que ele mora no Rio de Janeiro há 15 anos, e pelo filho Júnior Teôtonio, que não escondem a felicidade de contar com o pai centenário, vivo e lúcido.

Testemunha ocular da história, Teotônio falou do sentimento ao chegar aos 100 anos de vida. “O sentimento é de gratidão. Eu só tenho a agradecer a Deus por tanta generosidade e bondade, por ter passado por tantas coisas boas e que são memoráveis”, afirmou.

Teotônio Neto disse ainda que uma das coisas boas que fez ao longo de sua vida, ainda como um jovem visionário, sempre pensando no futuro melhor para Paraíba, foi ter fundado o jornal. “O pioneirismo do CORREIO só nos trouxe alegrias e contribuiu muito para o desenvolvimento da Paraíba, com a difusão de notícias e serviços de utilidade pública”, comentou.

Ao falar das principais realizações ao longo dos 100 anos de, Teotônio Neto revelou que tudo é fruto de sua fé, muito trabalho e apoio dos amigos de todas as horas, como o empresário Roberto Cavalcanti, a quem considera como seu terceiro filho. “Sempre confiei em Deus, em 1º lugar. Deus nunca me abandonou e sempre colocou no meu caminho amigos verdadeiros, de todas as horas, como Roberto, que considero com filho. As realizações são fruto de muito trabalho. Lutei, lutei muito e graças a Deus, sempre procurei fazer o bem, e colhi bons frutos”, declarou.

Defensor da Paraíba



Ontem, a Assembleia Legislativa da Paraíba, por propositura do deputado Branco Mendes (Pode), aprovou voto de aplauso à vida de Teotônio Neto. Para justificar a homenagem, Branco lembrou a trajetória exitosa do empresário e sua contribuição para o desenvolvimento do Estado. “Teotônio representou muito bem e engrandeceu a Paraíba, seja como empresário ou político, inclusive, meu primeiro voto foi em Teotônio para deputado federal”, afirmou. O parlamentar também solicitou que o artigo escrito por Roberto Cavalcanti, no CORREIO do último domingo, ressaltando a trajetória de Teotônio, seja registrado nos anais da Casa.Nascido em Santana dos Garrotes, em 28 de novembro de 1918, a trajetória de Teotônio é uma das razões do prestígio que o CORREIO, fundado há 65 anos, desfruta ainda hoje. Começou a vida profissional muito cedo, como balconista de loja, e em 1944 fundou sua primeira firma.Nos anos de 1960, já na atividade política, fundou a Cooperativa Mista do Vale do Piancó, e se consolidou enquanto representante, na Câmara dos Deputados, dos interesses econômicos da Paraíba. Teotônio estudou administração nos Estados Unidos e foi diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, onde vive até hoje.

Santana dos Garrotes e a família



De acordo com Anna Giovanna não há um só dia que o pai não procure saber notícias da Paraíba e de sua terra natal, Santana dos Garrotes, no Sertão, e buscar se inteirar dos acontecimentos políticos do País e o futuro do Brasil. Além disso, que um dos seus maiores orgulhos, além de todas os avanços empresariais e ações desenvolvidas na Paraíba, é ter fundado o Jornal Correio da Paraíba e ter passado o seu comando para o empresário Roberto Cavalcanti, a quem considera como um filho.

“Um dos maiores orgulhos de papai é ter passado o comando do Correio da Paraíba para Roberto Cavalcanti, que passou a ser um membro de nossa família, e com muita habilidade feito com que o jornal resista ao longo dos anos, acompanhado todos os avanços tecnológicos. Ele sempre diz que o CORREIO resiste até hoje porque tem Roberto Cavalcanti no comando”, comentou.

Anna Giovanna também destacou que ao longa da vida Teotônio Neto sempre atuou em defesa da Paraíba, com ações para o desenvolvimento do Estado, incentivos para geração de emprego, renda e estimulo à educação. “Ele fez muitas coisas para Paraíba, implantou a primeiro siderúrgica, o pólo industrial, o Banco Real do Nordeste, que permitia a movimentação financeira à noite, a construção do Moinho de Cabedelo. Foi pioneiro em muitas coisas e o seu maior sonho era ser governador do Estado”, revelou.

Nas eleições deste ano, conforme revelou Giovanna, o pai acompanhou tudo atentamente e tomando partido pela candidatura do presidente eleito Jair Bolsonaro, para tirar o País da crise e garantir um futuro melhor para todos.

“Ele torceu por Bolsonaro, porque sempre se preocupou com o futuro do Brasil e com essa crise que se instaurou na gestão do PT, a quem culpa pela situação do País. Ficou muito feliz com a eleição de Bolsonaro e está otimista quanto ao futuro do Brasil”, declarou a filha.

O filho Junior Teotônio, também falou da importância do pai em sua vida e de suas realizações em prol do desenvolvimento da Paraíba. “Cresci acompanhando meu pai, meio que à distância, pelo fato dele ter se transformado em uma locomotiva de desenvolvimento, principalmente pela Paraíba, e ter passado a vida, até hoje, pensando em como ‘fazer o bem sem olhar a quem’, que até hoje é o lema de nossa família”, comentou.

De acordo com Junior Teotônio, tirando todas as empresas nos diversos seguimentos, sejam banco, seguradora, construtora, jornal, rádio, moinho e tantas outras, até fábrica de elevadores, o que até hoje o surpreendo, são pessoas - muitos amigos - que demonstram seu carinho e reconhecimento por uma das obras de maior cunho social que conheço e que poucas pessoas sabem que o seu pai, Teotônio Neto, estava por trás, idealizando e financiando, com recursos próprios: a Fundação Padre Ibiapina, que contava com um querido primo/irmão, fundando um colégio ou ginásio em cada município da Paraíba, à época, assim como a distribuição de 650 bolsas de estudo por ano, algo que nunca fez questão de divulgar. “Esse meu pai/herói é meu exemplo de homem íntegro, honesto e principalmente humano, motivos estes que me fizeram sentir tão privilegiado, uma vez que não precisei procurar por exemplos de homens de valor moral, pois o tinha dentro de casa, ao alcance de meu abraço, de meu coração”, destacou.

Junior Teotônio disse ainda, que hoje, aos 100 anos, o seu pai ainda continua pensando e fazendo seus projetos, que, na realidade, ele acho que é o segredo desse ser humano tão querido e amado por toda nossa família. “Que o senhor meu Deus continue abençoando e iluminando esse Meu Pai-Herói, concedendo-lhe muitos outros anos, para que seu exemplo de vida continue a inspirar e transmitir os tantos valores tão intrínsecos nesse centenário de vida, numa história de amor e zelo ao próximo”, declarou.

Símbolo de longevidade



O empresário Roberto Cavalcanti, que viajou ao Rio de Janeiro para parabenizar o fundador do Correio da Paraíba, Teotônio Neto, falou da felicidade em poder estar ao lado de seus filhos e netos, festejando os 100 anos de um cidadão ímpar em todos os sentidos e que se destacou como um visionário e símbolo de longevidade.

“Sempre assisti e homenageei personalidades que se destacaram em diversas áreas pelo seu centenário, inclusive meu pai, o antropólogo René Ribeiro. Tributos mais do que merecidos pelas histórias marcantes que construíram. Esses reconhecimentos, geralmente, são feitos a pessoas que não mais aqui estão. Ainda não é para todos os mortais a glória de viver 100 anos”, comentou.

De acordo com Roberto Cavalcanti, não basta fazer 100 anos. “O privilégio é ainda maior quando você encontra Teotônio Neto lúcido e criativo como sempre. Vou ao seu encontro também para me alimentar com suas experiências” revelou.

Relembrando um pouco da história da vida de Teotônio Neto, Roberto Cavalcanti destacou que poucos merecem homenagens como esse paraibano, que começou trabalhando na fazenda dos avós, em Santana dos Garrotes, onde fazia de tudo, e com seu esforço e visão teve participação marcante na vida econômica e política da Paraíba e do Brasil.

Ele relatou que a terra natal era pequena para os sonhos de Teotônio, por essa razão ele mudou-se para João Pessoa. Para bancar seus estudos, foi balconista de loja, escriturário, vendedor de carros, e atuou na área de seguros e exportações.

“Nossa amizade começou com a negociação do Correio da Paraíba. Pela confluência dos astros, a operação teve a participação de três pessoas - Teotônio Neto, que queria vender; Tarcísio Burity, que nos o apresentou; e Paulo Brandão, meu primo e visionário da área de comunicação no nosso grupo-, todas nascidas em 28 de novembro”, relembrou.

De acordo com Roberto Cavalcanti, isso foi na década de 1970. “Desde então, ouço que é uma raridade no mundo empresarial um comprador manter boas relações com o vendedor. Minha resposta sempre é a mesma: já sou da família. Filho adotivo. Teotônio Neto não é só um símbolo. É um símbolo vivo”, declarou.

Admiração de especialista



O jornalista e professor da UFPB Lúcio Vilar falou da experiência que teve com o empresário na produção de um documentário sobre os 60 anos do CORREIO. “Eu tive a honra de entrevistar Teotônio Neto durante três dias, no Rio de Janeiro. Fiquei absolutamente impressionado com o personagem que se descortinou à minha frente quando a câmera começou a gravar. Não tinha a mais remota idéia da dimensão e da estatura de sua história pessoal, profissional e de homem público, marcado pela correção política que acabou lhe custando o encurtamento de uma promissora carreira como deputado federal.

De acordo com Lúcio Vilar, o que mais lhe chamou a atenção foi a vitalidade, energia e prodigiosa memória de Teotônio Neto, no alto de seus 92 anos, na época em que iniciou a produção do documentário Doc Correio, 60 anos (disponível na web).

“Todos os relatos e foram mais de sete horas de gravações eram minuciosamente detalhados, pormenorizados com nomes, lugares e situações. Um discurso eloquente e invejavelmente articulado, sem deixar pontas soltas em meio a pausas estratégicas que ampliavam a expectativa pelo desfecho das narrativas. Suas alegrias e dissabores com o sonho de criar o Correio da Paraíba, a crise, a venda do jornal e sua dor na morte brutal de Paulo Brandão, tudo foi abordado com precisão histórica e algumas doses de emoção”, relatou.

Vilar destacou ainda, que o feeling de Teotônio Neto para os negócios foi demonstrado desde cedo, sua perspicácia para a prospecção de novos nichos de mercado idem, chegando ao ponto de abrir sua própria instituição financeira, fato inédito até então por aqui. Além de tudo isso, como se não bastasse, tinha acentuada sensibilidade para as artes, tendo convivido e transitado no meio musical carioca dos anos 1940/50 com figuras como Dolores Duran e Ataufo Alves, entre outros.

“Ele foi mais que um visionário de seu tempo, inscreveu seu nome na história paraibana, ainda que a Paraíba – é preciso dizer! - não lhe tenha sido justa na retribuição pelos seus feitos que foram muitos, inclusive no campo da educação. Celebrar o próprio centenário não é tarefa fácil, vamos combinar. Até nisso sua singularidade uma vez mais se manifesta, levando-nos a apontar que sua história ainda precisa ser melhor acessada e conhecida. Parabéns, mestre Teotônio!”, declarou.

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