sábado, 05 de dezembro de 2020

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Palavras eternizadas em um marca páginas são redescobertas 30 anos depois

Rammom Monte / 25 de agosto de 2016
Foto: Arquivo Pessoal
O poeta inglês John Ruskin certa vez disse que “os livros podem ser divididos em dois grupos: aqueles de momento e aqueles de sempre”. Estes últimos podem ser eternizados por um trecho, uma capa, uma passagem, um sentimento e até mesmo um marca páginas. E foi exatamente um recado encontrado em um marca páginas dentro de um livro antigo que movimentou o Facebook nos últimos dias.

Tudo começou após uma postagem da gaúcha Carol Corso. Após comprar um livro em um sebo cultural, ela recebeu a encomenda e para sua surpresa havia dentro um marca página com um recado datado de 05 de julho de 1986, há mais de 30 anos.  A mensagem era de uma pessoa chamada Virgínia endereçada a Wellington e tratava-se de uma demonstração de afeto.

“Wellington, que bom ter um amigo legal como você. Adoro a força que você une a si e o carinho que há entre nós. Agradeço a Deus por ter um amigo assim. Te desejo tudo de bom! Com carinho. Toda a felicidade para Nós. Beijão da amiga que te gosta muito, Virgínia. Campina Grande, 05/07/1986”, dizia o recado.

Mas quem é Virgína? E Wellington? Foi exatamente a dúvida que Carol teve. E foi aí que entrou a rede social. Em busca de saber a história por trás deste recado, a gaúcha resolveu postar no Facebook procurando o paradeiro dos dois. Porém, ela não imaginava que o assunto iria repercutir tanto. Até esta quinta-feira (25), já eram mais de 5.500 compartilhamentos.

“Me assustei com a repercussão e com a quantidade de recados que venho recebendo em tão pouco tempo. Nunca imaginei essa dimensão”, falou Carol.

Mesmo com todos esses compartilhamentos, a dúvida continuava? Quem eram essas pessoas? O que elas fazem atualmente e que história era esta? 30 anos depois do recado, o CORREIO ONLINE encontrou uma das envolvidas nesta história que de fato parece ter saído dos livros. A professora Virgínia Gomes, natural de Patos, no interior da Paraíba, era a remetente do recado que deu o que falar.

“Foi feito em 1986. Estudávamos na Universidade Federal da Paraíba no Campus de Campina Grande. (hoje é a Universidade Federal de Campina Grande). Ele era meu colega de curso e se minha memória não falhar, eu acho que era aniversário dele. Eu sempre fui de escrever recadinhos, por qualquer motivo. Ele e outras duas colegas faziam parte do meu grupo de estudos e estudávamos em uma sala em uma Igreja Batista, no Centro de Campina Grande”, explicou.

Assim que a história começou a se tornar conhecida, surgiram logo os questionamentos se Virgínia e Wellington eram namorados, se estariam juntos atualmente. Porém, a realidade não é bem o que se imaginava.

“Ele era o mais novo do grupo e eu já era casada. Nunca tive nada com ele, ao contrário de tudo que criaram”, disse aos risos.

ninaApesar de todo o carinho, Virgínia disse que não tem mais contato com Wellington e não sabe qual destino ele tomou. “Perdi o contato. Vou amar reencontrá-lo. Amar mesmo”, disse.

Além do marca páginas, Virgínia disse que costumava trocar livros com ele (assim como com outras pessoas também). Porém, ela afirma que não tem mais os presentes que ganhou de Wellington.

“A gente trocava livros. Eu tinha que ele me deu, mas eu doei para minha sobrinha quando ela passou para o curso de Letras, mas acho que ela perdeu”, lamentou.

Virgínia disse, ainda, que sempre gostou de escrever mensagens carinhosas, mas que nunca imaginou que uma de suas demonstrações de carinho iria repercutir tanto. “Era minha marca dar recadinhos. Hoje em dia faço scrap books”.

Em sua postagem, Carol frisou uma parte do recado: “Por que o ‘Nós’ do recado estava sublinhado?”, escreveu. A remetente explicou o que significava. “Acho que eu queria dizer que nós, o grupo, déssemos certo. Fôssemos felizes”, relembrou.

Carol afirmou que ficou muito feliz em descobrir este recado e que teve a oportunidade de saber pelo menos quem era uma das pessoas por trás da história. Ela aproveitou para reforçar a necessidade de ser demonstrar mais carinho nos dias atuais.

“Acho que a vida está muito efêmera hoje, muito rápida. Acabamos esquecendo a importância de dizer a alguém o quanto os estimamos”, disse, finalizando que o livro acabou se tornando importante.

“Um livro de teoria para meus estudos que antes mesmo de iniciar uma leitura eu já encontrei um enredo com histórias verdadeiras”.

Agora resta só uma pergunta: onde está Wellington?

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