segunda, 15 de julho de 2019
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“Operação Al-Bará” prende duas pessoas no sertão da PB

Ainoã Geminiano e Wênia Bandeira / 10 de maio de 2018
Foto: Antônio Ronaldo
Pelo menos R$ 1,5 milhão foi desviado de várias prefeituras e do Governo do Estado da Paraíba, por uma organização criminosa que falsificava ordens judiciais de pagamentos, conforme apurou a Polícia Civil, durante dois meses de investigação.

O esquema começou a ser desbaratado ontem, com a deflagração da Operação Al-barã (“alvará” em árabe), que mobilizou 35 policiais civis, em várias cidades do Sertão paraibano. Na ação foram presos um servidor do Fórum da cidade de Sousa e um advogado que mora em Patos, acusados de comandar o esquema. O grupo falsificava alvarás judiciais com ordens de pagamentos para fins diversos e conseguiam fazer saques de ate R$ 100 mil, das contas bancárias das prefeituras e do Estado.

De acordo com a investigação, usando os alvarás falsificados, os falsários conseguiram bloquear valores nas contas públicas, que supostamente seriam usados em compra de medicamentos ou pagamentos de cirurgias, de pessoas beneficiárias que não existem. O ponto de partida da fraude era a 4ª Vara Cível da comarca de Sousa, no alto Sertão paraibano, onde trabalha o servidor Valdênio de Jesus Vilar Silva. Ele confeccionava os alvarás e falsificava a assinatura da juíza, entregando os documentos falsos para os advogados, que iam ao banco realizar o saque dos valores bloqueados. Em seguida, os valores eram divididos entre os integrantes do esquema.

A falsificação foi descoberta no mês de fevereiro, após o gerente de uma agência bancária telefonar para a juíza, para confirmar a assinatura que estava no documento, já que a magistrada estava há pouco tempo na cidade e os bancários não estavam habituados com documentos assinados por ela. Nessa conferência ficou constatado que a assinatura era falsa e a juíza acionou a Polícia Civil, de forma sigilosa, para a abertura da investigação.

Além do servidor Valdênio de Jesus, foi preso ontem o advogado Leonardo Araujo de Sousa, que atua na cidade de Patos. No entanto, segundo o delegado Ilamilto Simplício, responsável pela investigação, outros quatro advogados estão envolvidos no esquema e poderão ser presos ao longo da investigação, de acordo com as informações que forem coletadas a partir do material apreendido durante a operação. Esses advogados agiam nas cidades de Sousa e São José de Lagoa Tapada, contra as prefeituras dessas cidades.

Segundo o delegado Ilamilto Simplício, os acusados responderam por peculato, falsificação de documento público, uso de documento falso, falso reconhecimento de firma e formação de organização criminosa.

Os presos foram conduzidos para a sede do Grupo Tático Especial (GTE) de Sousa da Polícia Civil. Os advogados que não tiveram mandados de prisão expedidos, estão sob outras medidas cautelares determinadas pela Justiça, como proibição de se ausentar da comarca e obrigação de entregar o passaporte à autoridade judiciária.

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