sexta, 22 de janeiro de 2021

Cidades
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Ônibus escolares são usados ilegalmente em João Pessoa

Bruna Vieira / 02 de fevereiro de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Os ônibus escolares do programa Caminhos da Escola continuam sendo utilizados para o transporte irregular de pacientes do interior que fazem tratamento em João Pessoa. Em frente ao Hospital Universitário Lauro Wanderley, os veículos fazem fila, vindos de vários municípios. Para os usuários, que não tem recursos financeiros para custear a viagem, a alternativa auxilia a manter o atendimento médico.

Mas, o desvio de função é crime e os gestores respondem pela prática. A agricultora Gerlane Santana acordou de madrugada para as consultas da filha de nove anos, no HULW. Às 5h30 da manhã, o ônibus escolar sai de Capim, Litoral Norte do Estado, a 62 km da capital. “Há seis meses a Luanny faz tratamento aqui e sempre a prefeitura deu o carro para virmos. Se fosse para pagar transporte seria muito mais difícil, a gente já tem que gastar com alimentação”, declarou a mãe. Para o motorista José Gonçalves, que realiza a rota diariamente, trazendo 20 passageiros, o importante é garantir que a população não perca as consultas por falta de transporte.

“Se não tem especialidade na cidade, o médico encaminha para João Pessoa. Para vir pagando transporte, muita gente não tem dinheiro, além de não ter horário direto. À tarde, vem outro carro com mais pacientes. É gente nova, mais idosa”, afirmou.

Fora da lei

No caso do ônibus do programa “Caminhos da Escola” utilizado de forma irregular em Mamanguape, o motorista não tinha autorização para conduzir escolares e nem para realizar o trajeto fora de Jacaraú (ao qual pertence). Não havia lista obrigatória de ocupantes, passageiros estavam sem cinto de segurança, pára-brisa trincado e cronógrafo com aferição vencida.

Sem contato

Em dezembro, o Jornal Correio mostrou as irregularidades com o transporte escolar. São José dos Ramos, na região de Sapé, foi um dos municípios citados e que continuam reincidindo na prática.

A Prefeitura Municipal foi procurada pela reportagem, mas as ligações não foram atendidas, assim como as prefeituras de Mari e Capim.

O Ministério da Educação e Ciência também informou que o transposte escolar é responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que não comentou a questão até o fechamento desta edição.

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