quarta, 25 de novembro de 2020

Cidades
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Ongs e protetores independentes resgatam animais e promovem adoções

Katiana Ramos / 27 de janeiro de 2019
Foto: Rizemberg Felipe
Eles estão nas ruas, mercados públicos, praças e, além de alimentos, os olhinhos curiosos muitas vezes procuram por um lar. São cães e gatos desprezados por seus antigos donos ou que já nasceram em situação de abandono.

Para reverter esse quadro, voluntários de Organizações-Não Governamentais (Ongs) e protetores independentes fazem um trabalho de ‘formiguinha’ na expectativa de que esses bichinhos tenham uma nova chance.

Na Paraíba, assim como em todo o País, são dezenas de voluntários que trabalham pela causa animal. Contudo, o quantitativo de cães e gatos nas ruas é imensurável e a luta dos protetores é conseguir adoções para os pets, sobretudo os adultos. Tudo com o objetivo de mudar a realidade do abandono.

“Uma das coisas que a gente tenta desconstruir é a ideia de adotar só filhotes. Quando resgatamos as mães com os filhotinhos, é sempre mais fácil conseguir adoção para os bebês. Além do preconceito que muita gente ainda tem com cães e gatos sem raça definida”, desabafa uma das integrantes da Ong Bicho a Bessa, Ionara Lucena.

Mesmo com as dificuldades, sobretudo em conseguir doação de alimentos e ‘lar temporário’, que são as casas dos próprios voluntários onde os animais resgatados são cuidados e aguardam por adoção, ela conta que os finais felizes também são muitos. “Temos muitas histórias bonitas de animais que estavam sofrendo nas ruas e conseguiram uma adoção responsável. Eu mesma adotei uma cadela adulta que já está com 13 anos e sou apaixonada por ela”, revelou Ionara, que faz o trabalho voluntário há cerca de cinco anos.

Danielle Ferraz está entre as pessoas que adotam animais abandonados. Ela mudou-se, literalmente, para acolher cães resgatados pela Ong Bicho a Bessa e ainda adotou três cães, que viviam nas ruas do bairro. A voluntária contou que já alimentava cães em algumas ruas do bairro até que decidiu oferecer lar temporário para os pets e saiu do apartamento onde morava para uma casa. Além de adotar Paloma, Zeus e Duque, todos vira latas e os dois últimos idosos, ela ainda cuida de outras cinco cadelas, que esperam por adoção. “Eu digo que fui mordida por esse sentimento de amor aos animais de rua. Para mim, é muito gratificante quando conseguimos um lar definitivo pra eles. Eles estão nas ruas, mas a maioria é muito carinhosa e dócil. São verdadeiros protetores”, frisou a voluntária.

Unidos para proteger bichos na UFPB



Quem frequenta o Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, sabe que a presença de cães e gatos é praticamente constante no interior da instituição. Mas, infelizmente, os animais não agradam a todos e a universidade já registrou vários casos de maus tratos aos pets, como envenenamento e espancamento. O gatinho Apolo, uma das vítimas desses crimes, foi o que motivou a criação do grupo ‘Peludos UFPB’, formado por estudantes do curso de Biologia.

“Encontramos o Apolo na pista de corrida da UFPB e levamos para um veterinário e lá perceberam que ele foi ferido, provavelmente, de forma proposital. Colocamos nas redes sociais para dar visibilidade ao caso e pedir ajuda para o tratamento dele. Ele estava numa situação crítica e não resistiu. O grupo foi crescendo e fomos resgatando outros gatos. Hoje, tem cerca de 37 voluntários, além de doadores de ração, dinheiro e roupas”, contou Ariadne Bogo, integrante do grupo.

A fundadora do 'Peludos UFPB', Nathália das Neves, lembra que o abandono de animais dentro do Campus I tem crescido, sobretudo de animais doentes, apesar das placas informando sobre a proibição e ações de conscientização promovidas pelo grupo. “Em relação a conscientização das pessoas, tentamos através de conversas com quem entra em contato com o projeto, em relação ao não abandono, necessidade da castração e doenças que esses animais são acometidos dentro da unviersidade e em relação a esclarecer que esses animais não são vilões, mas vítimas do abandono. Eles precisam ser cuidados e possuem direitos como organismos vivos”, destacou Nathália das Neves.

Após resgatados e tratados, os animais são disponibilizados para adoção e as redes sociais funcionam como o principal canal de contato entre o grupo e os interessados. Além disso, o grupo montou até uma lojinha, no Instagram, onde são vendidas roupas e acessórios, e toda a renda dos produtos vai para a compra de ração e medicamentos. “Os animais só podem ser adotados por pessoas que se comprometem em castrar e vacinar os animais. É muito reconfortante de ver que a gente tá conseguindo encontrar lares pra esses animais”, reforçou Ariadne Bogo.

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