sábado, 28 de novembro de 2020

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O pesadelo da casa própria: moradores de conjuntos habitacionais veem sonho ruir

Lucilene Meireles / 02 de dezembro de 2015
Foto: Arquivo
A estimativa do número de pessoas com o problema é de advogados que recebem processos contra seguradoras. As casas, conquistadas com suor e trabalho nos anos 80, começaram a apresentar problemas estruturais que só pioraram com o tempo. Os processos se arrastam desde 2008 e pelo menos 140 famílias receberam a indenização, mas há muitos processos pendentes, alguns no início, com sentença, outros em execução de sentença e também no Tribunal de Justiça (TJ).

As famílias têm como única opção esperar pela decisão do Judiciário.

A dura realidade pode ser ilustrada pelo relato de Rejane Maria, moradora do conjunto habitacional do bairro Castelo Branco, que se viu obrigada a sair de sua residência quando, em 2009, a Defesa Civil decretou a imediata interdição do imóvel por conta das rachaduras nas paredes e no piso. Ela e os dois filhos foram obrigados a sair da casa, porque o laudo dos técnicos apontou que a permanência no imóvel oferecia risco.

“Foram muitos anos vividos aqui e lembro o dia que precisei sair às pressas com meus filhos... Hoje estou endividada, fiz empréstimos para poder pagar aluguel e meu nome está sujo, mas tenho fé que vou receber o seguro que paguei durante tantos anos e vou organizar novamente a minha vida”, afirmou.

Único bem material. Situação idêntica viveu Maria do Socorro Mota de Paiva, moradora do conjunto Valentina Figueiredo. Ela teve a casa interditada em 2010.

“Essa casa é tudo que tenho. Está toda pichada por vândalos, arrombaram a porta da cozinha, entortaram o portão. Com o dinheiro da aposentadoria, pago aluguel e não consigo fazer nem a minha feira, é triste saber que paguei durante tantos anos pela minha casa e não posso ficar nela”.

O aposentado Jamilson Santos recebeu a casa, no Valentina, em 1984 e relata que o imóvel está desmoronando. Sem opção, continua morando lá.

“Teve casa que chegou a cair. O governo não pensou na nossa segurança. Quem tinha condição, demoliu e construiu de novo. Eu não posso fazer isso. Este é o único lar que temos. Dormimos com medo de ver outra parte do teto da casa cair, e acordamos agradecendo a Deus pelo livramento, mas está na justiça agora só nos resta esperar, pois não temos mais para onde ir”, disse o aposentado.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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