terça, 26 de janeiro de 2021

Cidades
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O velho hábito da mentira nossa de cada dia

Luís Eduardo Andrade / 01 de abril de 2017
Foto: Assuero Lima
 

Uma pesquisa revelou que 98% das pesquisas são falsas. E talvez você tenha caído nessa também.  A mentira, que tem até data comemorativa, hoje, dia 1º de abril, muitas vezes é associada a algo negativo e prejudicial. E de fato, ludibriar as pessoas é sem dúvida uma atitude desagradável. Mas para muitos paraibanos, uma “mentirinha leve” pode ser necessária em algumas ocasiões, desde que não atrapalhe a vida de ninguém.

Mas como mentir de maneira “positiva”? Em nossas andanças pelo Ponto de Cem Réis, no centro da capital paraibana, encontramos o professor Paulo Duarte, de 43 anos, que elucidou a nossa pergunta com seu relato pessoal. “O ser humano não é correto absolutamente, então de vez em quando a gente tem que mentir por uma necessidade. Em um relacionamento, por exemplo, às vezes são necessárias algumas mentiras para o bem do relacionamento.”, explica. E o professor viaja até o século XVI para fundamentar sua tese. “O próprio Galileu, que foi considerado o pai da ciência moderna diz: ‘Nem toda verdade deve ser dita.’. Então, muitas vezes você usa uma mentira para salvar sua própria vida, ou você não quer machucar o sentimento de alguém, contanto que não prejudique ninguém”, concluiu o professor.

Jeitinho brasileiro. Quem não conhece o “jeitinho brasileiro”? O termo é usado para quando os brasileiros utilizam de meios ilícitos ou de situações não corretas para conseguir algum objetivo, muitas vezes utilizando mentiras. Infelizmente esse é o retrato dos canarinhos que já chegou inclusive ao exterior, com a tradução “The Brazilian Way”. Por mais que o povo brasileiro seja marcado pela força de vontade, superação e alegria típica, também somos conhecidos como malandros e sagazes.

Você mente? E a comerciante Karina Souza, de 26 anos, nos mostrou que as “mentirinhas bobas” podem estar presentes em vários lugares, inclusive dentro de casa. “Já menti bastante, hoje em dia é menos. Mas eu mentia um pouco pra minha mãe, mas besteirinha só. Ela me perguntava, por exemplo, se eu tinha varrido o terraço e eu dizia que sim, mesmo sem ter varrido (risos)”, tímida, conclui Karina.

Há quem tente evitar as mentiras, mas quando o assunto é relacionamento, essa missão torna-se um pouco mais difícil, conforme relata o estoquista Ivonaldo Macedo, de 24 anos. “Eu tento o máximo evitar a mentira, tem as pequenas mentiras que a gente costuma cometer, como por exemplo, o ‘estou chegando’, quando a gente ainda nem saiu de casa (risos). Agora nos relacionamentos a gente não pode dizer toda verdade à mulher se não apanha (risos), a gente tem que se desdobrar pra não arrumar problema”, finalizou Ivonaldo.

Quem mente mais? Nossos entrevistados contaram diferentes tipos de mentira que cometem ou cometeram, mas quando perguntados sobre qual tipo de pessoa mente mais, a resposta foi uníssona: políticos. Segundo eles, a maioria dos representantes do povo não cumpre promessas de campanha e se utiliza de mentiras para ludibriar seus eleitores e consequentemente vencer os pleitos. Como bem descreve o professor Paulo Duarte: “Na política existem muitos sofistas. Que são pessoas que usam argumentos muito convincentes, mas que não correspondem com a realidade, ou seja, mentem.”, definiu Paulo.

Direito de defesa. O deputado federal Pedro Cunha Lima confirma que a mentira realmente é inerente à atividade dos políticos. “Os políticos têm uma tendência, não só no Brasil, à política das palavras fáceis e da enganação, e o povo vai vendo que aquilo que é dito não acontece na prática.”, constatou o parlamentar. Pedro ainda confirma que o povo tem razão em acreditar que os políticos se utilizam da mentira, e que os representantes do povo preferem usar palavras brandas do que a dura verdade. “Os políticos gostam de falar o que agrada, porque se falar algo muito forte as pessoas reagem negativamente. Quando saímos do populismo e passamos a falar a verdade, a reação das pessoas acontece.”, finalizou o deputado.

Cardápio de mentiras



E se engana quem pensa que só existe um tipo de mentira. De acordo com um estudo realizado pelo Portal Mundo Interpessoal, as mentiras podem ser divididas em quatro tipos, sendo dois maléficos e dois benéficos.

- Mentira branca: é aquela mais comum. Ela é utilizada para evitar ferirmos emocionalmente alguém com a verdade. Por exemplo, elogiar a roupa de um amigo (a) mesmo sem ter gostando tanto assim dela.

- Mentira benéfica: essa é usada para benefício de alguém, com intenção de ajudar. Por exemplo, alguém está sendo perseguido e outra pessoa o esconde e nega o ter visto, para protegê-lo.

- Mentira enganosa: aqui começam as mentiras prejudiciais. A mentira enganosa tem como objetivo prejudicar a vida de alguém. Por exemplo, um funcionário de uma empresa conta mentiras sobre seu colega para seu chefe a fim de demití-lo.

- Mentira maliciosa: por fim, existe a mentira maliciosa, que é a tradicional fofoca. Ela ocorre quando informações falsas sobre alguém ou alguma empresa são espalhadas rapidamente pelas pessoas sem checar a veracidade dos fatos.

ERRAMOS: Está matéria consta na capa do jornal impresso, na edição deste sábado informando que ela pode ser encontrada na página A8. Porém, por um erro de edição, a reportagem não foi publicada no impresso.

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