sexta, 19 de julho de 2019
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O dom de aprender a viver e conviver com a paralisia cerebral

Beto Pessoa / 09 de outubro de 2017
Foto: Rafael Passos
A Paralisia Cerebral é uma condição que limita o movimento e coordenação muscular de quem a sofre. Em todo mundo, cerca de 17 milhões de pessoas sofrem do problema, que nem sempre tem o diagnóstico facilmente identificado, sendo confundido com diversos outros problemas pelos próprios médicos.

Foi o que aconteceu com a filha de Maria Aparecida de Oliveira, Isabela de Oliveira. Ela só conseguiu diagnosticar a condição da menina aos 3 anos de idade, mesmo passando desde muito cedo por diversos profissionais da saúde.

"Tive um problema no parto. Os médicos ficaram apelando para um parto normal e minha filha acabou ficando muito tempo na minha barriga, sufocada e engolindo líquido. Ficou 20 dias internada se recuperando, veio para casa se alimentando por sonda, mas conseguiu se recuperar. Até então não sabíamos de nenhum problema”, disse.

Aos poucos, Maria Aparecida percebeu que o desenvolvimento da filha não era como o das demais crianças. “Ela não sentava direito, não era ‘durinha’. Também não engatinhava. Levava aos médicos e eles diziam que era porque ela era preguiçosa, que era normal demorar. Só tivemos o diagnóstico aos três anos de idade, quando a levei na AACD, em São Paulo”.

De acordo com a neuropediatra Margarida de Pontes, da Hapvida, o diagnóstico nem sempre é fácil de ser detectado, daí a importância dos pais prestarem atenção aos sinais. “São níveis variados, que vão do 1 ao 4. Uma criança que teve e evolui para sequela motora, é mais fácil, mas muitas vezes há outras patologias que geram a paralisia infantil”.

O diagnóstico precoce, bem como o tratamento adequado, mudam a realidade dessas pessoas, explica a especialista. “Existe uma coisa chamada plasticidade neuronal, que é a capacidade do cérebro assumir funções de outras áreas lesionadas. O diagnóstico e prognóstico são essenciais para que esse processo aconteça”, disse Margarida de Pontes.



Especialistas na escola

Outro tratamento fundamental é o auxílio de especialistas nas escolas, algo que Maria Aparecida de Almeida tem solicitado há dois anos junto ao Governo do Estado, mas que ainda não conseguiu. “Minha filha estuda numa escola estadual. Na mesma sala tem outro jovem também com paralisia. Já abrimos processo, solicitamos o especialista para acompanhá-los, mas até agora nada”.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação (SEE) explicou que esse tipo de solicitação deve ser realizada pela Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad), que, através da coordenadoria do Núcleo de Educação Especial, informou que o processo está nos trâmites finais, já na fase de contratação do cuidador.

Mais sobre a paralisia cerebral:

Uma das manifestações da paralisia cerebral se dá por meio de distúrbios motores, que se diferenciam pela área do cérebro atingida. Existem três tipos de distúrbios: espástica, em que os músculos ficam rígidos e existe dificuldade de movimentação; discinética, quando os movimentos acontecem de forma exagerada e involuntária; e atáxico, tipo mais raro que apresenta tremores e falta de coordenação dos membros superiores e inferiores.

A espástica é o distúrbio motor e postural mais comum com incidência entre 75% a 88% entre as crianças acometidas. O tratamento de reabilitação deve ser idealmente realizado com uma equipe multidisciplinar composta por: médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicólogo, entre outros.

Fonte: Ipsen, grupo farmacêutico global especializado em soluções de saúde com o alvo em doenças debilitantes

“O diagnóstico neurológico é extremamente importante para se ter noção do comprometimento do cérebro e o tratamento adequado”, Margarida de Pontes, neuropediatra do Hapvida.

 Hoje a tendência é, cada vez mais, fazer avaliações precisas com 98% de descoberta no período neonatal”, Carla Caldas, Neuropediatra e Fisiatra do Centro de Reabilitação do Hospital das Clínicas da USP.




 

 

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