domingo, 19 de novembro de 2017
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Número de uniões formais entre paraibanos caiu 11% em um ano, segundo o IBGE

Beto Pessoa / 15 de novembro de 2017
Os paraibanos em relacionamentos heterossexuais estão casando menos e tendo menos filhos, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na sua Estatística do Registro Civil 2016.

Na Paraíba foram 16.778 casamentos em 2016, contra os 18.925 do ano anterior, redução de mais de 11% entre os dois anos. Desde 2004 não se via um volume tão baixo no número dos registros civis, menor dos últimos 11 anos. Na avaliação do pesquisador e sociólogo Luiz Gonzaga Júnior, da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), os números refletem o perfil da atual geração, mais preocupada com realizações profissionais do que na oficialização do matrimônio.

“Décadas atrás o princípio da independência estava muito ligado ao casamento, as pessoas se casavam para sair da casa dos pais e conseguirem chegar à vida adulta. Hoje essa independência está ligada à formação acadêmica e a realização profissional, muito mais que ao matrimônio”, destaca o professor. Além disto, muitos casais não dão tanta importância à formalização da união. É o caso de Leonardo Valverde, 32 anos, e Germana Cavalcanti, 32 anos. Eles começaram a namorar em 2003 e moram juntos desde 2012. De acordo com o arquiteto, colocando os prós e contras na balança o casal não conseguiu achar grande vantagem no registro civil. “Até o momento não percebi qual seria a vantagem do registro. Já moramos juntos há cinco anos, ela é minha esposa, nossa relação já se configura em união estável, não vejo sentido na burocracia que seria o casamento civil. Nunca achei q precisasse de um documento para declarar que sou casado. Se precisarmos, por exemplo, financiar um imóvel, é mais fácil como estamos do que casados no civil, já que configuraria um vínculo”, disse Leonardo Valverde.

Menos nascidos

O paraibano também está tendo menos filhos. A Estatística do Registro Civil mostra que em 2016 foram 54.732 nascidos vivos em todo o Estado, volume menor que os anos de 2015 (58.454 nascimentos) e 2014 (57.305). É a primeira vez desde 2012 que a Paraíba tem queda no número de nascidos vivos. De acordo com o sociólogo Luiz Gonzaga Junior, esses dados também demonstram mudança nos objetivos de vida dos brasileiros. “São vários os fatores. Os matrimônios acontecem mais tarde, as pessoas estão mais responsáveis, porque têm mais acesso a educação, está mais focada na capacitação e no trabalho do que da constituição de família”, disse.

População LGBT

Se para a população heterossexual o casamento civil tem sido colocado em segundo plano, para a população LGBT da Paraíba ele tem crescido. A Estatística do Registro Civil revela que 58 gays e lésbicas se casaram em 2016, contra os 49 do ano anterior, crescimento 18,37%. Mel Lima e Josué Cardoso exemplificam isso. O casamento dos dois está programado para o final deste mês, quando oficializam a união que já existe há dois anos. De acordo com o estudante Mel Lima, o registro garante direitos que por muito tempo foram negados a esta parcela da população.

“Para mim é importante, porque muita gente é contra e não concorda com nossa relação. É uma forma de nos protegermos. Eu vivo com ele, temos uma relação de casados, então quero ter o direito de usarmos o mesmo nome”, disse o jovem, de 19 anos. De acordo com o sociólogo Luiz Gonzaga Júnior, a oficialização para esta parcela da população muitas vezes tem outros sentidos. “Muitas dessas pessoas não têm boa relação com os familiares, foram expulsos de casa. Quando um deles morre, a família, que antes combatia, tenta tomar os bens. A partir do momento que essas pessoas se casam, ambos têm os direitos civis garantidos”, disse o professor.

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