segunda, 18 de janeiro de 2021

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Número de fumantes cai até 65% depois da participação em grupos de apoio na PB

Lucilene Meireles / 31 de maio de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Com apenas 10 anos de idade, a auxiliar de serviços gerais Lindinalva Lima deu o primeiro trago num cigarro e não parou mais. Hoje, aos 48, quer abandonar o vício e pretende procurar o serviço público de saúde. Ela sabe que é difícil, mas não impossível. No Dia Mundial sem Tabaco, lembrado hoje, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou que 43% das pessoas que iniciaram o tratamento na rede pública da Capital, a partir de 2006, não são mais dependentes. A pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, também aponta redução na Capital, passando de 15,9% (2006) da população com mais de 18 anos para 8,4% em 2014. Em Campina Grande, 382 pessoas pararam de fumar, em um total de 588 inscritos nos programas da prefeitura, representando 65% de êxito em toda a cidade.

A redução, porém, não diminui o risco para quem continua fumando. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alerta que uma mulher fumante tem cinco vezes mais chances de sofrer um infarto do que a que não fuma. Por isso, inicia hoje uma campanha nas mídias sociais chamando a atenção para o perigo. Lindinalva, que aprendeu a fumar acendendo o cigarro da mãe, disse que sabe dos riscos. Entre os homens, o fumante tem três vezes mais chances de sofrer infarto.

“Me sinto acuado e até constrangido quando estou fumando. Tenho feito esforço para parar. Suportei três semanas, mas bastou um pico de ansiedade para retomar. Já usei adesivo e sem que tem tratamento gratuito. Minha meta é lutar contra o vício”, declarou o cabeleireiro Patrick Lincoln, 36.

O cigarro, com suas 4.720 substâncias tóxicas, é mais maléfico para as mulheres. “Quem fuma e usa anticoncepcionais o risco de infartar ou sofrer um derrame é dez vezes maior. Já as grávidas fumantes têm 70% mais chances de sofrer um aborto espontâneo ou do bebê nascer prematuro”, ressaltou Jaqueline Scholz, coordenadora do Comitê de Controle do Tabagismo da SBC.

A coordenadora do Núcleo de Doenças e Agravos não Transmissíveis da Secretaria de Estado da Saúde (SES) da Paraíba, Gerlane Carvalho, destacou que o tratamento gratuito existe, mas há municípios que não aderiram, o que dificulta o acesso para quem quer parar de fumar e não tem condições de pagar o acompanhamento na rede privada.

“Nem tudo está perdido e sempre há a possibilidade de parar. O tabagismo é uma doença que tem tratamento. Um ano depois de largar o cigarro, o ex-fumante reduz o risco de infartar em 50% e entre 5 e 10 anos sem tabaco, ele passa a ficar no mesmo nível de uma pessoa que nunca fumou”. Jaqueline Scholz, coordenadora do Comitê de Controle do Tabagismo da SBC. 

Paraíba

456,8 mil fumantes

91 mil são de João Pessoa

1 bilhão e 300 milhões de pessoas no mundo

Óbitos por câncer de pulmão na Paraíba

112 em 2016

418 em 2015

390 em 2014

Tratamento 

Na Paraíba, existem hoje vários Centros de Referência para Tratamento dos Fumantes, onde se pode buscar apoio para se livrar do vício em nicotina. O serviço é oferecido em Unidades de Saúde da Família; em Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais); Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e Centros de Saúde. Em alguns casos, os pacientes abandonam o cigarro com menos de um mês de acompanhamento. O tratamento nesses locais é mantido pelo Ministério da Saúde, que repassa medicamentos ao Estado.

Em Campina Grande os Grupos de Tabagismo estão presentes em 33 Unidades Básicas de Saúde, o que corresponde a um terço das unidades da cidade. Quase 500 participantes estão cadastrados atualmente no programa. O Ministério da Saúde entende que pelo menos 30% dos participantes do programa precisam deixar de fumar e, após um ano do início do tratamento, precisam continuar sem fumar.

Atendimento em João Pessoa

CAIS do Cristo, Mangabeira e Jaguaribe;

Centro de Saúde de Mandacaru;

Centro de Atenção Psicossocial CAPS AD III - David Capistrano (Rangel);

Centro de Atenção Psicossocial CAPS AD III (Estadual).

Benefícios ao parar de fumar

Após 20 minutos, a pressão e a pulsação já normalizam;

Após 2 horas, já não há mais nicotina circulando no sangue;

Entre 12 e 24 horas, os pulmões já funcionam melhor;

Após 48 horas, o olfato e o paladar melhoram;

Após 1 ano, o risco de infarto reduz pela metade;

Entre 5 e 10 anos, o risco de sofrer infarto será igual ao de uma pessoa que nunca fumou.

Como ter acesso ao tratamento pelo SUS

O interessado deve procurar diretamente o Cais ou a UBS;

Passa pela triagem e é encaminhado ao pneumologista;

São realizados os exames necessários e, no retorno, o paciente inicia o tratamento;

A equipe tem médicos, assistente social, psicólogos, nutricionistas, entre outros;

O tratamento envolve quatro sessões e há acompanhamento durante um ano.

A medicação prescrita pelo médico é gratuita, fornecida pelo SUS;

O medicamento é em forma de adesivo, goma, pastilhas e a Bupropiona (comprimidos);

Quem tiver recaída, pode retornar para reiniciar o tratamento com práticas integrativas.

Programação 31 de Maio: Dia Mundial Sem Tabaco

Data: 31 de maio

Horário: 10h às 13h30

Local: Shopping Tambiá – piso L1 – em frente ao Magazine Luiza.

Endereço: Av. Dep. Odon Bezerra, 184 - Tambiá, João Pessoa - PB

Serviços

Teste de Espirometria - exame do pulmão.

Teste de Monoximetria - medida da concentração de monóxido de carbono.

Teste de Fagerstrom - analisa o grau de dependência à nicotina.

Verificação de Pressão Arterial

Orientações sobre os malefícios do tabagismo, locais de tratamento

Distribuição de material educativo

Leis em vigor

Lei 9.294 de 15 de Julho de 1996 - Dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do parágrafo 4° do artigo 220 da Constituição Federal.

Lei estadual Nº 8.958 de 30 de Outubro de 2009 – Proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, na forma que especifica, e cria ambientes de uso coletivo livre de tabaco.

Lei municipal Antifumo - João Pessoa - Lei 11.760/2009 – Proíbe o consumo de cigarros, charutos, cachimbos ou quaisquer produtos fumígenos, derivados ou não do tabaco.

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