domingo, 19 de maio de 2019
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Mudança climática pode ter antecipado o inverno

Aline Martins e Katiana Ramos / 02 de abril de 2019
Foto: Assuero Lima
Com chuvas recorrentes desde o último mês de março, a mudança climática em João Pessoa pode ter antecipado o inverno na Capital. A informação é do coordenador municipal da Defesa Civil, Noé Estrela. Somente ontem, o acumulado chegou a 70 milímetros na cidade, o que equivale a 27% do volume esperado para o mês de abril. “Seria como se tivesse chovido, para o período, durante cinco dias seguidos. Este comportamento atípico parece ter antecipado o inverno, como já aconteceu em anos anteriores”, comentou Noé Estrela.

As precipitações que atingiram João Pessoa desde a tarde do último domingo até a manhã de ontem causaram pelo menos 14 pontos de alagamentos, 14 semáforos com problemas de funcionamento e dois acidentes de trânsito. Parte de um imóvel antigo no Centro Histórico desabou. Além de João Pessoa, outras 45 cidades paraibanas também registraram chuvas ontem.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também emitiu um alerta de chuvas intensas, que a princípio está valendo até as 8h de hoje, podendo ser prorrogado, e que inclui cidades de sete Estados do Nordeste. Três deles, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, estão com todos os municípios em alerta.

De acordo com o meteorologista do Inmet, Flaviano Fernandes, a previsão é que a chuva continue nos próximos 15 dias tendo em vista fatores que contribuem para a continuidade do fenômeno chuvoso como a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) – sistema meteorológico atuante nos trópicos e responsáveis por fortes chuvas – e também do aquecimento do Oceano Atlântico, o que não muda de uma hora para outra.

Pela manhã foram registrados dois acidentes na BR-230, no sentido Cabedelo. Um deles, uma colisão entre um carro e uma moto, mas apenas o motociclista ficou ferido. Já quem circulou por João Pessoa teve que ter muita paciência, pois vários semáforos apresentaram problemas e diversas ruas ficaram alagadas. Em um dos locais, um carro boiou com o movimento dos veículos que passavam por perto.

Na Avenida Sanhauá

No trecho onde há uma obra inacabada da Prefeitura Municipal de João Pessoa, os motoristas enfrentaram água empossada nos buracos. “Isso aqui é um absurdo. Faz meses que era para ter concluído essa obra e a Seinfra não fez. Agora estamos nessa situação”, desabafou um motorista que não quis se identificar.

Na Avenida 2 de Fevereiro, no sentido Centro/Cristo Redentor, uma árvore caiu e o trânsito modificado. Já na Rua Visconde de Inhaúma, no Centro Histórico da Capital, parte de um imóvel antigo desabou. Tijolos caíram sobre a linha férrea, dificultando a passagem do trem.

De acordo com Noé Estrela, coordenador da Defesa Civil da Capital, os bairro sque mais registrara m chuvas foram o Altiplano (67.6 mm) e Tambauzinho (46.8 mm) em um período de seis horas. Além disso destacou que não houve chamado nas comunidades de risco, apenas registro de pontos de alagamentos. “A malha urbana não suporta uma chuva tão forte e gera alagamentos. O solo está coberto e a forma de escorrer a água é pelas galerias”, frisou.

Ontem, a Defesa Civil recebeu o aviso do Cemaden sobre a previsão de chuvas de até 64 mm em 96 horas no município, o que significa risco de nível moderado, e por conta disso aumenta o alerta. “Como sempre estamos atentos para chamados. Nosso trabalho de prevenção, monitoramento e manutenção é permanente e conta com uma agenda de programação semanal, atuando em vários bairros da Capital. As ações também podem ser realizadas de acordo com a maior necessidade”, explicou.

Alerta



Ontem, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) enviou um aviso sobre a previsão de chuvas de até 64 mm em 96 horas só na Capital. Entre 7h e 8h de ontem, a força dos ventos chamou a atenção, pois chegou a 36 km/h.

PERIGO



Um trecho da BR-230, no sentido João Pessoa/Cabedelo, na cabeceira da ponte sobre o Rio Jaguaribe apresentou rachaduras que se estendem do acostamento até a faixa da direita da rodovia. O trecho situa-se próximo a alça da ponte que dá acesso ao ‘Retão de Manaíra’. Ontem, equipes da PRF e Dnit estiveram no trecho. Por meio da assessoria de comunicação, a PRF informou que, a princípio, não é necessário o bloqueio da via. Já o Dnit informou que fará os reparos necessários.

Galerias entupidas em bairro



A aposentada Lúcia de Fátima da Silva, 65 anos, ficou apavorada após ter a casa invadida com as águas das chuvas, na Rua Marieta Araújo do Nascimento, no bairro Costa e Silva, na Capital. Ela contou que duas galerias na via estão entupidas com concreto.

“Já chamei a Seinfra para resolver o problema e até denunciei o caso no Ministério Público. Já são quase três meses sem solução. O Ministério determinou que fosse feito o serviço na rua, mas até agora nada. O Ministério permitiu e eu interditei a rua. Não passa mais carro até resolver. Hoje, com muita chuva, a casa ficou alagada. Eu perdi todos os meus móveis. Tive que chamar o limpa fossa para tirar a água que invadiu a casa. Paguei R$ 250. Não tenho mais dinheiro para pagar se entrar mais água. Quero uma solução”, reclamou.

A reportagem do Jornal CORREIO ligou para a secretária de Infraestrutura, Sachenka da Hora, para saber quando resolverá esse problema e também o da Avenida Sanhauá, mas as ligações não foram atendidas.

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