sexta, 26 de fevereiro de 2021

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Barreiras diminuem vazão das águas da Transposição

Wênia Bandeira / 02 de agosto de 2017
Foto: Isnaldo Cândido
O abastecimento de água em Campina Grande e outras 18 cidades está enfrentando obstáculos no caminho da Transposição do Rio São Francisco, o que estaria diminuindo a vazão para chegada ao Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. Esta é a conclusão obtida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo especialista em Recursos Hídricos, Isnaldo Cândido, após visitas a três pontos.

A Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) confi rma a existência, mas diz que não atrapalham a passagem da água. Nos primeiros dias da Transposição concluída, chegavam a Boqueirão 7,8 metros cúbicos por segundo e ontem, a medição da Aesa apontou a chegada de 2,9 metros cúbicos. Esta diminuição está atrasando o encerramento do racionamento na região, segundo denuncia Isnaldo Cândido. De acordo com ele, existem cinco barramentos, dos quais apenas dois estariam dentro do padrão permitido. “Fizeram barracos de areia e de madeira nos sítio Porteiras, em São Domingos, Passagem, em Caraúbas, e Campo Velho, em Coxixola. São obstáculos para o processo de vazão porque diminuem a passagem da água”, afirmou.

Ele explicou que estes barramentos foram feitos para servir como ponte de um lado para outro do rio Paraíba, para que os moradores pudessem transitar. Isnaldo acrescentou que estas pontes já estão causando problemas e ainda podem servir de exemplo para outros locais. “A vazão que chega a Monteiro diminuiu de quase cinco metros por segundo para apenas um metro. Então você imagina: e se as prefeituras ou moradores de outros pontos resolverem agir da mesma forma? Vira efeito dominó”, falou.

Além disso, o especialista disse que comportas terão que ser construídas nos açudes de Camalaú e Poções, o que acarretaria a paralisação da passagem da água da transposição. Ele afirmou que até o fim do ano esta obra terá que ser feita. “O Ministério da Integração (MI) tem que construir as comportas até dezembro naquela área onde foi feito um rebaixamento. Vai ter que fazer comportas para poder fechar caso chova demais e serão dois a três meses sem abastecimento da integração porque o Ministério não poderá trabalhar com água passando”, declarou.

Nestes locais foram feitos rebaixamentos para adiantar o processo da chegada da água a Boqueirão. Caso isto não fosse feito, os açudes teriam que sangrar para que a água pudesse passar. O presidente da Aesa, João Fernandes, falou que foi requisitado a uma empresa um projeto para que não aconteça esta paralisação.

Ele explicou que existe uma possibilidade que custaria um pouco mais de recursos para realização. “Faria uma tubulação para passar a água por baixo, o que aumentaria em R$ 300 mil, mas quem faz uma obra de R$ 2 milhões tem como pagar isso. Eu não me preocupo com isso porque até segunda-feira teremos este projeto em mãos para entregar”, falou. João ainda disse que o que o especialista chamou de barramentos seriam passagens molhadas. De acordo com ele, está saindo de Monteiro 3,5 m3 e chegando a Boqueirão 2,9 m3, o que seria uma diminuição aceitável.

Com relação a estas construções, a Aesa se preocupa quanto à segurança. O presidente explicou que são obras frágeis que podem cair quando o volume de água aumentar ou em caso de uma forte chuva. O MPPB concorda e acrescenta que estas pontes cairão com o decorrer do tempo e não estariam impedindo a passagem da água. O procurador de Justiça, Francisco Sagres, integrante do Comitê de Gestão de Recursos Hídricos (CGRH), está investigando esta diminuição da vazão. Ele apontou os moradores como obstáculo. “Nós visitamos todo o caminho da água e constatamos algumas irregularidades quanto à irrigação que está sendo feita. Os ribeirinhos estão tirando quase a mesma quantidade de água que o abastecimento de Campina Grande e as outras 18 cidades”, falou. Ele disse que os ribeirinhos estariam tirando 500 mil litros por segundo, enquanto o abastecimento da Cagepa é 850 mil litros por segundo.

Reuniões

Serão feitas reuniões com a Agência Nacional das Águas (ANA), a Aesa e o Estado para debater o assunto. Nesta terça-feira (1º), o procurador se reuniu com o Ministério da Integração para discutir o tema, mas não foi informado o resultado deste encontro. Por fim, o último obstáculo seria a manutenção das bombas. Hoje, a sexta estação está trabalhando apenas com uma bomba. Em cada uma das seis estações tem duas bombas e cada uma é responsável pelo bombeamento de 4,5 m/seg.

Nota do Ministério da Integração

O Ministério da Integração informou que não tem responsabilidade sobre qualquer destes problemas denunciados e investigados. De acordo com o órgão, intervenções no curso da água dentro da Paraíba são de responsabilidade do Governo do Estado. “O Governo Federal está cumprindo a promessa de entregar a água do Rio São Francisco ao estado da Paraíba que tem sofrido com o intenso período de seca e estiagem. A responsabilidade pela distribuição da água, que já chegou pelas estruturas do Projeto de Integração do Rio São Francisco, é do estado beneficiário”, diz a nota.

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