segunda, 12 de abril de 2021

Cidades
Compartilhar:

Motoristas e lavadores de para-brisas não se entendem nos semáforos de João Pessoa

Bárbara Wanderley / 12 de dezembro de 2017
Foto: ASSUERO LIMA
Lavadores de para-brisas têm se tornado figuras cada vez mais comuns nos semáforos das principais avenidas da Capital, mas ainda não conseguem se entender com os potenciais clientes. Enquanto os motoristas consideram a abordagem agressiva, os lavadores denunciam sofrer ameaças, por vezes até com armas de fogo.

“Já botaram pistola na minha cara duas vezes. Uma vez lavei os dois para-brisas do carro de uma mulher. Quando terminei, ela bateu no vidro chamando, me aproximei e ela me mostrou uma pistola, ficou dizendo umas coisas”, contou o limpador Kleyton Kleberson, de 21 anos.

Ele disse que costumava trabalhar como pedreiro, mas foi parar nos semáforos porque não estava conseguindo emprego e tem duas filhas para sustentar. “Se tivesse trabalho eu seguiria minha carreira de pedreiro. A gente não fica aqui porque quer”, disse.

O autônomo José Hélio afirmou que compreende que os limpadores estão “tentando ganhar seu dinheirinho”, mas para ele, falta educação na abordagem.

“A maneira que eles agem é um pouco abusiva, já chegam jogando água sem pedir licença. Se a pessoa estiver com o vidro do carro aberto, às vezes até se molha. Se eles chegassem e pedissem licença, perguntassem antes de molhar, seria diferente”, disse. “Eu não me incomodo muito, mas às vezes se não tiver dinheiro pra dar eles se ofendem”, disse outro motorista.

Para o servidor público Ariano Araújo, a insistência é inoportuna. “Às vezes incomoda porque tem uns que forçam, a pessoa diz que não quer e eles insistem. Às vezes o vidro fica até pior do que estava antes, quando o equipamento deles não está muito limpo”, comentou.

O lavador Lucas Batista, de 19 anos, contou que ganha cerca de R$ 50 por dia para sustentar a mulher e a filha, ainda bebê. Ele considera, no entanto, que exerce uma profissão de risco. “Tem gente que ameaça a gente com pistola, tem gente que ameaça descer do carro pra bater na gente, mas a gente tem que continuar trabalhando”, disse.

Relacionadas