quarta, 20 de novembro de 2019
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Moradores do José Américo denunciam esgoto na rua

Ainoã Geminiano / 21 de março de 2019
Foto: Assuero Lima
Moradores de várias ruas do bairro José Américo, Zona Sul da Capital, sofrem há três anos com esgoto sanitário correndo a céu aberto na porta das casas e estabelecimentos comerciais. Por conta do relevo do local, os dejetos de banheiros escorrem para a Avenida Rosa Paula Barbosa, conhecida como “rua da igreja católica”, uma das principais do bairro. No local, moradores colocaram sinalizações e placas com desenhos que reclamam do mau cheiro e do tempo que a região está alagada de esgoto.

O problema afeta a saúde e os negócios dos moradores. A comerciante Alba Lúcia de Oliveira tem um mercadinho na principal, bem de frente a um dos boeiros por onde sai esgoto. “Ontem mesmo cheguei em casa com dor de cabeça, de tanto inalar esse odor terrível de fezes. Quando não é isso é com doença respiratória. São três anos sofrendo com isso, mas não há organismo que se acostume. Esse mercadinho é minha única fonte de renda e tem dia que tá tão insuportável que eu fecho e vou pra casa. Tem clientes que deixam de vir comprar porque fede muito. Não sabemos mais a quem recorrer pra pedir solução pra isso”, reclamou.

O atendente Lucas de Oliveira também trabalha Avenida Rosa Paula e destaca que os momentos mais críticos são no início da manhã e no final da tarde, quando as pessoas estão em casa e usando os banheiros.

“A pista vira uma lagoa de lama, de fezes e urina. Como aqui é um dos principais acesso às ruas do bairro, nesses mesmos horários há um tráfego intenso de veículo. Os carros levantam um spray de lama podre, quando não dão banho mesmo nas pessoas, porque alguns locais acumulam mais lama. É um inferno esse trecho”, relatou.

O trecho alagado fica perto da igreja católica, onde existe três bueiros estourados, em sequência.

Ligações indevidas



Relatos de moradores sugerem que um dos agravantes do problema seria a existência de ligações clandestinas de esgotos residenciais. “Essa rede de esgoto daqui não foi concluída. Aí as pessoas ligam os esgotos das casas, de forma clandestina e transborda nas ruas”, disse a comerciante Alba. O aposentado Antônio Ximenes, de 83 anos, que também sofre com o problema, disse que moradores da Rua Edvaldo Toscano, ligada à avenida principal, vários moradores foram autuados pela Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura. “Ficamos sabemos que receberam multas. O problema seria esse. Mas o fato é que nenhum órgão responsável aparece aqui para resolver”, reclamou.

Cagepa

Por meio da assessoria de comunicação, a Companhia e Água e Esgotos da Paraíba informou que na Rua Rosa Paula Barbosa, por exemplo, “a obra de implantação do sistema de esgotamento sanitário do bairro está em processo de licitação”. Segundo a Companhia, os esgotos que estão escorrendo na rua possivelmente são provenientes de lançamentos indevidos feitos por moradores, que deveriam estar destinando os esgotos domésticos para as fossas sépticas das residências”.

A Cagepa informou que o problema já é de conhecimento da Secretaria de Meio Ambiente (Semam) da Capital, que, em parceria com a Cagepa, já deu início a fiscalização, identificação e notificação dos imóveis que estão fazendo essas ligações irregulares.

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