quarta, 22 de maio de 2019
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Moradores denunciam retirada ilegal de areia da praia em Lucena

Bárbara Wanderley / 11 de novembro de 2017
Foto: Assuero Lima
Moradores da cidade de Lucena, Litoral Norte, estão denunciando a extração ilegal de areia da praia para fins comerciais, além da invasão inclusive de propriedades privadas para retirada de areia. Segundo eles, caminhões caçamba e uma retroescavadeira estão sendo usados durante as madrugadas para a atividade e até uma estrada foi aberta para o transporte da areia. Além disso, a praia nesse mesmo local está sendo ocupada por palhoças, onde funcionam pontos comerciais, que foram retirados há pouco tempo pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU).

Um dos denunciantes é o advogado Gilberto Giba Falcão de Oliveira Lima, conhecido apenas como Giba, que teve uma propriedade invadida para retirada de areia e que registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia do município, no último dia 1º de novembro. “O pessoal da vizinhança me contou que estavam roubando areia das minhas terras e achei fosse alguém querendo construir uma casa, uma coisa assim, mas quando vi a situação fiquei impressionado”.

Não foram só alguns carrinhos de mão. Máquinas pesadas têm sido vistas pelos moradores, trabalhando da região. “Eles agem entre 10h da noite e 4h da manhã”, afirmou Giba. Ele mostrou que foi feita inclusive uma rua para acesso ao local de onde a areia está sendo retirada. “Isso aqui era uma trilhazinha, se passava a pé. Agora é um acesso largo que passa carro”.

Outro morador, que preferiu não se identificar, também disse que estão roubando areia toda noite, e muita. Segundo ele, só não chegaram a roubar dentro da propriedade da família dele, porque é cercada. “Mas cavaram um buraco no pé da minha cerca”, contou.

Além das propriedades privadas, a situação também ocorre na praia, onde a reportagem encontrou um buraco com marcas recentes de pneus. Giba destacou que o problema é antigo e de conhecimento de todos na cidade. “Quando fui à delegacia prestar queixa, me informaram de que já houve uma denúncia semelhante e foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta”, comentou.

Os rumores entre os moradores é que a areia é roubada por depósitos de material de construção para ser vendida, embora a areia da praia tenha pouca serventia na construção civil, por conta do teor de sal. “Isso é um absurdo, nem a gente que é dono pode tirar essa areia, aí vem outra pessoa e tira. Isso tem um impacto ambiental, e no caso da praia a areia nem serve para construção”.

Sem resposta. A reportagem tentou ouvir o Ministério Público Estadual (MPPB), mas o promotor do Meio Ambiente, José Farias, não atendeu aos telefonemas. A Superintendência do Patrimônio da União da Paraíba também foi procurada, mas servidores disseram não ter autorização para dar informações à imprensa e que toda demanda deveria ser enviada ao Ministério do Planejamento, em Brasília. A reportagem fez contato com o Ministério e enviou email, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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