quinta, 19 de setembro de 2019
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Moradores de Bayeux reclamam de entulhos nas ruas

Bárbara Wanderley / 06 de setembro de 2017
Foto: Assuero Lima
“Bayeux está entregue às baratas”. É o que afirma a aposentada Maria dos Anjos, moradora da Rua Diógenes Chianca, no bairro do Sesi. No local, o esgoto corre a céu aberto e o mau cheiro é constante. “Passamos uns quatro meses sem luz na rua também, os postes apagados. Só vieram ajeitar na semana passada”, disse.

A situação do esgoto se repete na Rua 13 de Maio, onde também há lixo e entulho acumulados em alguns pontos. “O carro do lixo até que passa, mas a limpeza das calçadas só é feita até o final da fábrica, depois da fábrica fica tudo sujo e os moradores é que se juntam pra tirar. Da última vez jogamos no terreno ali porque não tinha onde colocar”, disse a dona de casa Ana Paula Nascimento, referindo-se a entulhos e restos de poda jogados em um terreno logo após a fábrica Cambuci. No final da rua há pelo menos três bueiros estourados, de onde escorre esgoto. “Hoje ainda está bom, quando chove fica bem pior”, afirmou a dona de casa.

Um dos bueiros é completamente desnivelado do calçamento e já ocasionou diversos acidentes. “Tem carro que perde escapamento, perde proteção do motor”, disse o motorista Eriosmar Barbosa de Souza. Além disso, os moradores contaram que quando o caminhão do lixo passa pelo local acaba arrastando a tampa do bueiro, o que já ocasionou a queda de uma mulher no buraco, e deixa os pais apreensivos pelas crianças que brincam na rua. Eriosmar contou que por vezes o mau cheiro é tão acentuado que não consegue fazer as refeições direito. “Engraçado que quando chegou minha conta de água esse mês, estava cobrando taxa de esgoto. Fui até a prefeitura reclamar e eles tiraram”.

O ambiente insalubre levou a mãe de Ana Paula a se mudar do local. “Minha mãe teve câncer de mama e foi morar com a minha irmã, porque não podia se recuperar da doença aqui”, disse ela. A falta de calçadas leva o cadeirante Edvaldo Apolinário Borges, conhecido como Valdinho de Bayeux, a disputar espaço com os carros no meio da rua, transitando com sua cadeira de rodas em meio a buracos, lama e esgoto. Para atravessar a linha do trem e visitar sua família que mora do outro lado, ele precisa descer da cadeira e se arrastar por um trecho.

Ele afirmou que já chegou a conversar com vereadores e o prefeito sobre a situação, mas que devido a transição que houve na prefeitura, quando o prefeito Berg Lima foi preso, a situação não pôde ser resolvida. Tapa-buraco. Por telefone, o secretário de Infraestrutura da cidade, Ademilson Montes, informou que a operação “tapa-buraco” está sendo feita normalmente pela secretaria, que só parou um pouco devido às chuvas que impossibilitam as obras.

A questão do esgoto, entretanto, é mais complicada. Ademilson afirmou que apenas 7% do esgoto da cidade é coletado pela Cagepa, e que mesmo essa pequena quantidade não passa por tratamento antes de ser jogada no rio. Isso porque a Cagepa não concluiu a estação elevatória que levaria o esgoto para ser tratado em uma estação de João Pessoa.

Cagepa

A Cagepa por sua vez, informou através de sua assessoria de comunicação, que participou de uma audiência com o Ministério Público Estadual e a Secretaria de Infraestrutura de Bayeux, no mês passado, para esclarecer a situação. A obra está em andamento, com previsão de entrega para abril de 2018. A execução é difícil, pela instabilidade do solo, porque parte da obra atravessa uma área de mangue. Ainda segundo a Cagepa, em 2006 foram repassados recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para que a prefeitura de Bayeux construísse bacias de esgotos em cinco bairros da cidade, mas com a mudança de gestão, não foi dada continuidade ao procedimento, de acordo com a promotora de justiça Fabiana Lobo. Três licitações foram abertas em 2008 à procura de empresas que realizassem o serviço, mas todas desistiram por conta da dificuldade de execução das obras.

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