sábado, 16 de janeiro de 2021

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Moradores de bairros de João Pessoa reclamam de surto de muriçocas no fim da tarde

Lucilene Meireles / 05 de abril de 2017
Foto: Divulgação
Não tem jeito. Todos os dias, a partir das 17h, quem mora em bairros como Miramar, Cabo Branco, Manaíra, Tambaú e Bessa nota uma ‘invasão’ de muriçocas dentro de casa. Elas chegam até em edifícios mais altos, o que é incomum. A quantidade é tão grande que tem assustado os moradores e nem inseticida tem dado conta. Degradação de áreas verdes e água acumulada da chuva são as explicações para a situação. A informação é do clínico-geral e diretor médico do Hapvida. em João Pessoa, Paulo Sampaio. Ele disse que ainda não há detalhes sobre o estudo, mas explicou que o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido também como pernilongo ou muriçoca, é comum nessa época do ano por causa do calor e chuva, que criam um ambiente favorável para a sua reprodução. Segundo ele, o Aedes aegypti é mais conhecido, mas esse tipo de mosquito também pode provocar doenças.

Entre as patologias que a muriçoca é capaz de transmitir ao ser humano estão a Febre do Nilo Ocidental, Febre de Mayaro, Encefalite de Saint Louis e a Elefantíase, que já foi mais comum, mas que hoje está praticamente erradicada.

O médico explicou que os repelentes funcionam durante um momento, evitam a picada, mas não combatem o mosquito no ambiente. Então, ele continuará se reproduzindo e picando quando o efeito do repelente passar. “Assim como o repelente, os inseticidas funcionam, mas não são a solução, pois acabam combatendo só os mosquitos que estão ali no momento e podem aumentar a resistência deles ao veneno. Além disso, dependendo da quantidade diluída no ambiente, pode acontecer intoxicação das pessoas”, alertou. O ideal, conforme o médico Paulo Sampaio, é evitar o acúmulo de água suja com material orgânico, como pneus, poças d'água, que são os locais mais favoráveis para reprodução.

Nem repelente resolve. A professora Carolina Barroca mora no Brisamar e relatou que à tardezinha seu apartamento, no nono andar, é tomado. Ela usa inseticida e, nos quartos, repelente elétrico, mas não resolve. “A situação não ocorre toda época do ano. Agora, está muito abafado e, quando chove, piora. Daqui, a gente vê o rio e a mata ciliar. Talvez, por essa proximidade com a mata esteja acontecendo”, disse.

Na avaliação do empresário Leandro Ramalho, morador do Miramar há quase dez anos, é normal, em certas épocas do ano, um aumento do número de muriçocas, especialmente nos primeiros meses, quando chove e o clima ainda está muito quente. “Mas, esse ano, o número de mosquitos realmente está muito acima da média”, observou. Mesmo morando em prédio, ele disse que é obrigado a fechar tudo depois das 17 horas. Ele acredita que há relação com as mudanças feitas na região da Avenida Beira Rio.

A secretária Dalva Pereira, relatou que, no Cabo Branco, o problema é preocupante. “Nunca tinha visto tanta muriçoca por aqui. Elas ficam no teto, nas paredes e, não dá para ficar do lado de fora da casa no final da tarde, pois elas picam demais”, observou.

O ambientalista Antônio Augusto Almeida concorda. “Retiraram a mata, colocaram barro e pode ter a ver com isso, porque impermeabilizaram o solo o que propicia o acúmulo de água. É preciso, porém, uma observação in loco”, afirmou. Ele disse ainda que o sistema de galerias na orla é muito precário, alguns usados indevidamente como esgoto, o que também piora a situação.

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