quarta, 19 de dezembro de 2018
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Moradias que são negócio valorizam ruas onde João Pessoa nasceu

Katiana Ramos / 05 de agosto de 2018
Foto: Rafael Passos
A casa de número 72 abriga a arte e é também a morada da família do arquiteto e artista plástico Sóter Carreiro. Um pouco mais a frente, no número 152, um casarão amarelo com uma varanda ampla nos fundos convida os visitantes a observar os tons alaranjados do pôr do sol e esse colorido é também a realização do sonho dos empresários Thiago Storti e Clécia Fernandes. Localizados na Rua General Osório, no Centro de João Pessoa, esses imóveis foram ocupados recentemente e são exemplos de iniciativas que vêm devolvendo vida à região histórica da Capital.

Antiga ‘Rua Nova’, a General Osório abriga diversos estabelecimentos comerciais no Centro da cidade, mas, assim como outras vias de exploração comercial nessa região, a rua é também o endereço de morada de quem guarda e constrói novas histórias. E as tentativas, sobretudo privadas, de mudar a ‘cara’ do ‘novo’ Centro Histórico têm movimentado os órgãos de proteção à memória da terceira capital mais antiga do Brasil. Só a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Paraíba recebe, em média, 15 solicitações, semanalmente, para analisar projetos de intervenção em imóveis que possuem tombamento.

Puro encantamento

Conhecedor de várias cidades históricas do Brasil e do exterior, o arquiteto e artista plástico Sóter Carreiro se encantou ao visitar o Centro Histórico de João Pessoa ainda na época de estudante. As igrejas seculares e o charme das moradias que dão o aspecto inusitado de uma capital com ares de cidade interiorana chamaram a atenção do cearense de nascença que decidiu morar na Capital paraibana há cerca de 20 anos, dos quais 12 são de residência fixa em imóveis no Centro Histórico.

O amor pela história guardada na arquitetura da cidade está no cuidado com os dois imóveis que o artista plástico possui e também nas aquarelas que pinta. “Minha vida, meu trabalho é o Centro Histórico. Já trabalhei com projetos em vários centros históricos do Brasil e do exterior, mas o Centro de João Pessoa é muito especial para mim. É tanto que as casas se chamam Philipéia e Sanhauá”, contou Sóter Carreiro.

Desde 2013 morando na parte alta da Cidade Antiga, este ano o artista plástico abriu as portas de casa cor de rosa da General Osório para o que ele chama de coworing cultural, espaço que abriga atividades, como cursos e uma galeria, e onde até o final do ano deve funcionar um café.

“Essa casa tem mais de 150 anos e nós somos os segundos moradores dela. Batizei de Casa Sanhauá por conta do rio Sanhauá, que pode ser visto dos fundos da casa. Eu, com esse meu trabalho nos Centros Históricos há mais de 20 anos, respiro e vivo isso”, declarou Sóter Carreiro.

Vocação cultutal. Apaixonados por cidades históricas e com uma proposta de fazer algum projeto que também pudesse valorizar a cultura da cidade, o casal de empreendedores Clécia Fernandes e Thiago Storti também escolheu o Centro Histórico da Capital para investir. O casarão antes sem vida, em uma das esquinas da antiga ‘Rua Nova’, ganhou cor. A General Store é a realização do sonho do casal que abriu espaço para artistas locais mostrarem seus talentos.

“Queremos que o Centro volte a ser frequentado por pessoas de todas as classes porque aqui a gente tem muita beleza, cultura e história para oferecer. A nossa proposta vai além do café e do bar, e é oferecer um espaço multicultural, que valorize os artistas daqui”, comentou Clécia Fernandes.

Para o presidente da Federação do Comércio da Paraíba, Marcondes Medeiros, iniciativas de revitalização no Centro Histórico, também é importante para o desenvolvimento da cidade.

PMJP faz ocupação

Com a proposta de unir negócios de fomento à cultura local e moradia, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) entregou em junho deste ano o ‘Villa Sanhuá’. Os oito casarões, no estilo de Art Decó, foram recuperados e transformados em 17 apartamentos e seis pontos comerciais. A ocupação dos espaços foi feita por meio de concessão.

“É preciso que o Estado promova as condições para a sustentabilidade do Centro Histórico, tanto ao nível das edificações públicas como privadas ali localizadas. Países europeus com patrimônio cultural de peso estabelecem políticas  que dão suporte à preservação desses bens, como a isenção do IPTU”, explicou arquiteto e professor da UFPB, Ivan Cavalcanti.

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