terça, 22 de agosto de 2017
Cidades
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Ministério Público Estadual investiga poluição no Rio Gramame

Ana Daniela Aragão / 15 de março de 2016
Foto: Arquivo
Quatro indústrias no Distrito Industrial, em João Pessoa, foram fiscalizadas pelos órgãos públicos ambientais do município e estado, para detectar a colaboração de cada uma na poluição do rio Gramame. Duas foram notificadas por não possuírem licença ambiental e as restantes tinham sistema de tratamento, mas há a hipótese de que mesmo assim, os produtos químicos sejam jogados no rio durante a madrugada. A fiscalização e invstigação vão continuar.  Os dejetos químicos estão trazendo sérios problemas de saúde para as pessoas das comunidades da area e o tema foi discutido em consulta pública realizada pelo Ministério Público, ontem, na comunidade de Mumbaba.

Risolene Ribeiro estava na audiência e afirmou que mora em Mumbaba desde que nasceu há 43 anos. Ela disse que gostaria do rio limpo, exatamente como era antes. “Quando eu era criança, a gente não tinha água encanada. A gente bebia água do rio e tomava banho. Hoje não podemos mais. Nós não invadimos aqui. Antes não tinha indústria. Elas que foram chegando e poluindo. Deveria ser feita alguma encanação ou coisa do tipo para tirar a poluição do rio”, disse.

José Salustiano também estava na ocasião e destacou a situação dos seus tem quatro filhos. “Eles sentem vergonha de mostrar as pernas por causa das cicatrizes de feridas ocasionadas pelos produtos químicos. Primeiro são bolhas que se formam e depois cicatrizam. Eles andam de calça jeans para não mostrá-las. Eles também têm problema de respiração. Quando começam jogar a química, a gente não aguenta o fedor e é muito quente. Quando chega a noite, todos se trancam e ligam os ventiladores para ver se ameniza”, declarou.

Consulta pública

Ao final da consulta pública, após os esclarecimentos do Ministério Público, Secretaria do Meio Ambiente de João Pessoa, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e as reivindicações da população, ficou encaminhado que os órgãos públicos devem elaborar um relatório com o diagnóstico da area e a colaboração de cada industria na poluição do lugar e mostrar quais medidas devem ser tomadas.

“Nós vamos nos reunir no dia 29 deste mês para continuar a discutir a situação. A fiscalização continua. Serão três meses para os órgãos darem o parecer. Algo deve ser feito urgente porque é um risco de saúde pública em jogo. O que eles vão trazer também é como as indústrias podem conviver com a comunidade. Isto é possível? É o que queremos saber”, disse.

A secretária do Meio Ambiente, Daniela Bandeira destacou que a fiscalização só funcionará se for conjunta com os outros órgãos responsáveis. “Vamos intensificar as fiscalizações e o cronograma de visitas vai aumentar”, disse.

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