quinta, 14 de novembro de 2019
Meio Ambiente
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Semam já registrou 1,5 mil plantas danosas na orla, em JP

Aline Martins / 10 de julho de 2019
Foto: Assuero Lima
Quase 1,5 mil castanholas de pequeno porte, o que representa 90% do total, serão retiradas da orla marítima de João Pessoa no próximo semestre pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam). O motivo é que essa espécie exótica tem prejudicado o desenvolvimento da vegetação nativa fixadora de dunas. Em um trecho da praia de Cabo Branco, por exemplo, a quantidade de árvores impede a visualização do mar, pois o local se tornou praticamente em uma mini ‘floresta de mata fechada’. Esse trecho será transformado em uma área para contemplação de visitantes e moradores.

Da praia de Cabo Branco a Tambaú é possível encontrar castanholas de vários tamanhos e quantidade, aroeira, carrapateira, capim e plantas xerófilas. Para a aposentada Maria do Socorro Oliveira Sousa, o excesso de vegetação, principalmente as maiores, prejudica a vista do mar. “Acho que combina mais o coqueiro e isso não prejudica a vegetação rasteira que protege as dunas”, comentou.

Enquanto o aposentado João Cristóvam Pordeus Xavier destacou a necessidade de projetos que protejam a flora típica da orla. “Se tem muita vegetação que não é ideal para a praia acredito que vai ter alguma consequência. E outra coisa também é que quando elas estão altas demais e fica bem difícil conseguir olhar o mar”, comentou.

Já no trecho da praia do Cabo Branco, onde praticamente se tornou uma ‘floresta de mata fechada’, tanto o aposentado José Fernandes quanto o encarregado Reinaldo Santos comentaram a importância da atuação do poder público para minimizar a quantidade de castanholas. “Se não puder retirar pelo menos fizesse a poda porque, quem passa pela calçada, praticamente não ver nada do mar. Sem contar que um local assim ainda pode servir de esconderijo e consumo de drogas”, alertou Fernandes.

Um ponto destacado pelo professor de Direito Ambiental e Civil, Genildo Lucena, é que em alguns trechos da orla marítima a vegetação tem servido de moradia. “Algumas pessoas têm até retirado a vegetação para poder morar e isso não pode acontecer, pois se trata de uma área de proteção ambiental conforme o Código Florestal, lei 12.651/12. É proibida a retirada e a derrubada”, ressaltou, destacando que existe vegetação nativa, que tem a função de proteger as dunas, mas há outras como as xerófilas (comum nas regiões semiáridas do Nordeste) que estão ganhando espaços na praia.

O chefe da Divisão de Arborização e Reflorestamento (Divar) da Semam, o engenheiro agrônomo Anderson Fontes, informou que o órgão fez um monitoramento e apontou a presença de várias espécies vegetais arbóreas (árvores), arbustivas (arbustos) e herbáceas (ervas, gramíneas) na orla do Cabo Branco a Tambaú.

No entanto, algumas delas são consideradas invasoras porque inicialmente não são nativas da área e também porque estão prejudicando o desenvolvimento da vegetação de restinga. Segundo ele, a aroeira, por exemplo, é uma planta nativa, mas pode se tornar invasora a partir do momento que se estende para a parte onde fica a vegetação fixadora de dunas. “Uma das mais prejudiciais para as dunas é a castanhola”, frisou.

Apesar de se tratar de uma área de preservação ambiental, Anderson Fontes explicou que o órgão municipal ambiental pode atuar desde que isso seja informado aos órgãos fiscalizadores como Sudema e Ibama como já foi feito. Sobre a ação que deve acontecer até o mês de dezembro, o diretor da Divar disse foram calculadas 1,5 mil castanholas de pequeno porte, além de outras espécies, que devem ser retiradas. Em um trecho de Cabo Branco será um espaço para instalação de bancos com o intuito de contemplação do mar e possivelmente um parque infantil.

Variadas. Espécimes, como a palma, são prejudiciais à vegetação rasteira que protege as dunas.

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