segunda, 20 de maio de 2019
Meio Ambiente
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Peixes-bois marinhos são transferidos de PE para PB

Redação / 17 de abril de 2019
Foto: Nalva figueiredo/Divulgação
Dois peixes-bois marinhos, que se encontram em oceanários localizados na Ilha de Itamacará (PE), aportam nesta quarta-feira no Litoral Norte da Paraíba. Lá, serão preparados para a reintrodução na natureza. ‘Vitória’ e ‘Parajuru’ vão ficar no espaço de readaptação de peixe-boi marinho ao ambiente natural, que fica na Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape. Eles serão os primeiros a ocupar o espaço que foi construído entre setembro de 2018 e março de 2019.

A construção foi resultado do trabalho das equipes do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho (PVPBM), da APA da Barra do Rio Mamanguape, ARIE Manguezais da Foz do Rio Mamanguape, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene) e voluntários da comunidade local, e representa um passo importante para a conservação da espécie na Região Nordeste.

O veterinário e pesquisador João Carlos Gomes Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho, realizado pela Fundação Mamíferos Aquáticos e patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, explicou que o processo de readaptação dos animais ao ambiente natural é de extrema importância para a conservação da espécie, que atualmente se encontra em perigo de extinção no Brasil.

“Dentro da estratégia nacional de conservação do peixe-boi marinho, estão previstas as reintroduções dos espécimes que encalharam e posteriormente foram reabilitados”, observou. Ele afirmou que, no Nordeste, só existia uma estrutura semelhante a esta, em Alagoas. “Este espaço de readaptação da Barra do Rio Mamanguape vai agregar e otimizar os esforços em prol da soltura dos animais no Nordeste brasileiro. Com este cativeiro, daremos maior celeridade ao processo de reintegração de peixes-bois aos ambientes naturais”.

APA de Mamanguape. A APA da Barra do Rio Mamanguape é uma região propícia para a reintegração da espécie. “Trata-se de uma das principais áreas de ocorrência de peixes-bois marinhos no Brasil, é um local que ainda dispõe dos principais atributos ecológicos que propiciam a existência da espécie, contando com um importante estuário, ambiente marinho, fontes de alimentação, qualidade hídrica, águas calmas e protegidas, e, além disso, trata-se de uma área de proteção ambiental”, ressaltou João Carlos Gomes Borges, coordenador do Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho.

O local, que é uma Unidade de Conservação Federal do ICMBio, é uma região histórica na reintrodução de peixes-boi marinhos. Quando foi criada, no início da década de 90, teve como objetivo principal a preservação dos habitats essenciais para a vida do peixe-boi, conforme Leonardo Messias, coordenador do Cepene.  Atualmente, alguns dos espécimes que foram reintroduzidos utilizam a área, a exemplo de ‘Mel’, 15 anos, ‘Puã’, 14 anos, ‘Zelinha’, 16 anos e ‘Iara’, 12 anos. Eles são monitorados diariamente com auxílio de tecnologia satelital e VHF, e são acompanhados por avaliações clínicas periódicas.

Visita permitida



O cativeiro ficará aberto para visitação de forma responsável, dentro das normas estabelecidas e em horários determinados. Comunidade e turistas vão poder conhecer o local e contribuir na sensibilização e conscientização da sociedade sobre a importância da conservação da espécie.

O Projeto Viva o Peixe-Boi Marinho é uma estratégia de conservação e pesquisa para evitar a extinção da espécie no Nordeste, e atua nas áreas de pesquisa, tecnologia de monitoramento via satélite, manejo, educação ambiental, desenvolvimento comunitário, fomento ao turismo eco pedagógico e políticas públicas.

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