quinta, 27 de junho de 2019
Meio Ambiente
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PB evolui na preservação da Mata Atlântica

Lucilene Meireles / 05 de junho de 2019
Foto: Assuero Lima
Na Paraíba, os resultados têm sido positivos em termos de proteção ambiental, processo que não envolve apenas a fiscalização, mas também a conscientização da população e regularização ambiental dos que lidam com o uso dos recursos naturais. Há preocupação dos órgãos que cuidam do meio ambiente, no Estado, por conta da sensibilidade do bioma Mata Atlântica, da Caatinga, que é patrimônio brasileiro definido pela Constituição Federal, e das espécies ameaçadas da fauna e flora, que exigem fiscalização, conscientização e regularização. Porém, há motivo de comemoração hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente. Análises recentes do Instituto SOS Mata Atlântica mostraram que a Paraíba conseguiu diminuir a área desmatada do bioma nos últimos dois anos.

“Temos que continuar nesse mesmo ritmo, no mesmo batente de fiscalizações para evitar que determinados problemas se agravem. Para que, através do trabalho de fiscalização, conscientização e regularização ambiental, os resultados continuem sendo satisfatórios em favor do meio ambiente”, declarou Geandro Pantoja, chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Paraíba.

“A gente trabalha com monitoramento por imagem de satélite, operações de fiscalização. Isso tem ajudado, de certa forma, a conter esse avanço do desmatamento. No que diz respeito à Caatinga, a maior preocupação é em relação ao desmatamento para exploração de lenha, carvoaria, abertura de pasto. Mas, temos notado que, nos últimos anos, o comportamento tem mudado”, ressaltou Pantoja.

Em muitos locais onde a equipe do Ibama chega para fiscalizar, o produtor já se regularizou, possui cadastro ambiental rural , tem autorização para supressão de vegetação. “Isso nos surpreendeu. Tem melhorado a conscientização e a busca pela regularização ambiental dos produtores. É um ponto muito positivo”, comemorou.

Bichos. Na Paraíba, entre os animais que correm o risco de extinção, estão o pintassilgo, uma ave que é alvo do tráfico e pode ser encontrada nas regiões do Brejo e do Sertão. Também existem algumas espécies de primatas, como a guariba. O animal é encontrado na Reserva Biológica Guaribas, localizada no município de Mamanguape.

Geandro Pantoja explicou que todas as espécies ameaçadas que existem no Brasil estão listadas no Livro Vermelho da Fauna de Espécies Ameaçadas, do Ministério do Meio Ambiente. “Em relação aos primatas, o problema é com a perda do habitat. Quanto mais aumenta o desmatamento, eles ficam com menos áreas para sobreviver, menos disponibilidade de alimento, e isso acaba prejudicando a dinâmica da população dos animais”, observou.

Na fauna, o problema com os pássaros, por exemplo, é o tráfico e o comércio ilegal. “Temos feito várias operações de fiscalização e combate à caça, às feiras clandestinas. Nós fizemos uma grande operação, inclusive, neste final de semana em Campina Grande e João Pessoa. O Ibama tem atuado para tentar acabar com as feiras a céu aberto que existem nas grandes cidades onde ocorrem mais casos de tráfico de animais”.



As ações são voltadas ainda para a preservação da fauna através do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) que recebe animais que sofreram maus-tratos, têm alguma doença, estão mutilados. Lá, são reabilitados e devolvidos à natureza. “Em 2018, prendemos o maior traficante de pássaros do Brasil, o Valdevino, da região de Junco do Seridó, e monitoramos também os principais traficantes que comercializam fauna silvestre, vivem disso, inclusive”.

160 mortes de tartarugas





Até o início de dezembro de 2018, cerca de 160 tartarugas mortas foram encontradas no Litoral paraibano, tanto pela equipe da ONG Guajiru, quanto as informadas pela população. A maioria delas era da espécie verde e, conforme a ONG, as principais causas de morte têm sido a interação com as redes de pesca e a ingestão de lixo, mas a rede de pesca ainda é o fator mais preponderante no Litoral paraibano.

O Ibama, além das ações de fiscalização, tem realizado um trabalho de educação ambiental, com palestras nas colônias de pescadores por conta da ocorrência das mortes de tartarugas marinhas relacionadas com atividade pesqueira.

“Fizemos várias reuniões para dar orientações e evitar que o problema aconteça. Foram feitas ainda operações de patrulhamento no Litoral para detectar alguma atividade irregular de pesca que possa oferecer risco à rota das tartarugas”, declarou Pantoja.

Existe ainda um trabalho em parceria com várias instituições numa rede institucional de proteção das tartarugas marinhas junto com o Projeto Tamar, ICMBio, ONG Guajiru, Sudema e municípios.

Punições. A multa é de R$ 500 por animal, se não for ameaçado de extinção. Se for ameaçado de extinção, o valor salta para R$ 5 mil. Se for pego em feira, a multa é dobrada, ou seja, pode ser R$ 1 mil, dependendo do animal, ou R$ 10 mil, por animal em extinção.

JP tem 300 mil árvores



João Pessoa tem cerca de 300 mil árvores, segundo o Pré-Inventário Arbóreo e algumas têm sido suprimidas pela Secretaria de Meio Ambiente da Capital (Semam). Até o início de maio, 12 delas haviam sido retiradas, mas a ação só é feita quando não há mais nenhuma condição da planta sobreviver.

Através da poda programada, os técnicos estão avaliando a situação das que ficam nos principais corredores, fazendo o diagnóstico, verificando se há cupim, fungo e realizando os serviços necessários. As que não têm mais condições de tratamento, onde o fungo avançou em mais de 90% da planta, são substituídas por outras espécies mais resistentes aos fungos, segundo informações da Divisão de Arborização e Reflorestamento da Semam.

Programação. Sempre empenhada em preservar e levar informações sobre a importância de cuidar do meio ambiente, a Semam está realizando a Semana do Meio Ambiente 2019, em parceria com a Secretaria de Educação e Cultura (Sedec) e envolve uma série de atividades. Este ano, o tema é o mesmo da Organização das Nações Unidas (ONU) - “Poluição do Ar”.

Nessa terça-feira (4), estudantes da Escola Municipal Leonel Brizola participaram de uma atividade de Educação Ambiental, dentro da programação da Semana do Meio Ambiente. Hoje, haverá um dia inteiro de atividades, começando às 8h, com o Corredor Verde, no Centro Administrativo Municipal, apresentação de stands institucionais com ações da Semam e trio de forró. À tarde, às 14h, haverá distribuição de mudas no Parque da Lagoa, exposição da Poda Programada e Tenda Verde, entre outras atividades.

Para amanhã, a programação prevê o plantio de mudas com estudantes na Estação Cabo Branco e Estação das Artes, a partir das 8h30. Ao longo do dia, haverá entrega de hortas, entre outras atividades. Na sexta, dia 7, haverá distribuição de mudas, às 16h, na Tenda Verde que será instalada no Busto de Tamandaré, praia de Tambaú.

Celebração em 100 países



O Dia Mundial do Meio Ambiente é a principal data das Nações Unidas para impulsionar a sensibilização e encorajar ações em todo o planeta em prol da proteção do meio ambiente. Desde que foi instituído, em 1974, o evento cresceu e virou uma plataforma global celebrada em mais de 100 países.

 

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