terça, 11 de dezembro de 2018
Meio Ambiente
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JP e CG estão entre cidades mais ‘inteligentes’ do Brasil

Arthur Araújo / 09 de setembro de 2018
Foto: Rafael Passos
A cidade de Campina Grande avançou 54 posições no ranking que Connected Smart Citise, que mede a eficiência das cidades em diversos setores de atuação do Poder Público e sua capacidade de resolver problemas de forma articulada e com soluções inteligentes. Campina, que aparecia em 97º da lista em 2017, chegou ao 43º posto em 2018. Na Paraíba, a cidade ainda perde para João Pessoa, que foi apontada como a 36ª mais inteligente do país. A capital paraibana cresceu 11 posições desde o ano passado. Ambos os municípios tiveram seu melhor desempenho no quesito Meio Ambiente.

O ranking das cidades inteligentes foi divulgado na última terça-feira, durante evento realizado em São Paulo. Curitiba, capital do Paraná, aparece em 1º lugar da lista geral, sendo apontada como a cidade mais inteligente do país entre 700 avaliadas. A análise considera índices de 11 setores. São eles: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo e governança. Estes, por sua vez, englobam 70 indicadores urbanos e sociais.

As cidades paraibanas alcançaram posições de destaque em três setores, figurando entre os 10 melhores índices do Brasil. João Pessoa e Campina Grande aparecem bem no quesito Meio Ambiente, estando em 4º e 6º lugares no país, respectivamente. A capital ainda recebe o título de cidade mais inteligente no setor em todo o Nordeste. O quesito leva em consideração a coleta de resíduos, abastecimento de água, redes de esgoto e o monitoramento de áreas de risco.

O superintendente da Autarquia Municipal Especial de Limpeza Urbana (Emlur), Lucius Fabiani, afirmou que diversas iniciativas, como o monitoramento online da coleta, têm contribuído com a melhora do serviço prestado á população.

Queixas reduzidas

De acordo com Lucius Fabiani, as reclamações recebidas sobre a coleta foram reduzidas em 80%. O ciclo de limpeza para serviços como capinação, roço e pintura de meio-fio também foi reduzido, ocorrendo a cada três meses na maioria dos bairros.

No que se refere à coleta seletiva, Fabiani afirmou que a gestão tem testado alternativas como coleta porta a porta e a distribuição de 14 pontos de coleta pela cidade. Ganhar a adesão da população para separar o lixo, no entanto, não tem sido fácil. “Hoje trabalhamos com uma divisão entre secos e molhados, que torna mais fácil para as pessoas em casa, mas ainda não temos a adesão esperada”, afirmou. Apesar disso, a cidade apresenta índice de 6% de coleta seletiva, 3% acima da média nacional. “Esse número chega a cerca de 10% se contabilizarmos os catadores não cadastrados”, afirmou.

O diretor de Operações e Manutenção da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Joaquim Almeida, afirma que o órgão investiu em automação para evitar desperdício e garantir uma melhor distribuição de água. “Fazemos uma medição da água que é distribuída e da que é realmente consumida, assim temos um maior controle da perda. A automação dos sistemas facilita o nosso trabalho por permitir um maior domínio do sistema, garantindo uma resposta mais rápida”, explicou.

Terceiro em Segurança

Na Paraíba também está a terceira cidade mais inteligente do Brasil no quesito segurança. Trata-se de Cabedelo, que ficou atrás apenas de Ipojuca (PE) e São M. dos Campos (AL). O ranking leva em consideração o número de homicídios, mortes no trânsito, despesas com segurança e aparato da polícia, guarda civil e agentes de mobilidade.

O secretário estadual de Segurança e Defesa Social, Cláudio Lima, afirma que a criação da Área Integrada de Segurança Pública de Cabedelo contribui para a segurança do local reduzindo o número anual de homicídios de 140, em 2010, a pouco mais de 30, em 2017. “Temos contado com quadros competentes que fizeram um excelente trabalho na Polícia Civil e um trabalho empírico que tem surtido efeito. A cidade reagiu bem a isso”, afirmou.

O professor Cláudio Campelo, do Departamento de Computação da UFCG, que é especialista em cidades inteligentes, destacou o trabalho das universidades nesse sentido. “Ações das universidades (especialmente a UFCG, UEPB e IFPB) em conjunto com o PaqTcPb, Citta e entes da administração estadual e municipal têm fortalecido de forma continuada o empreendedorismo inovador na cidade”, revelou.

De acordo com ele, a cidade conta com um quadro qualificado de pesquisadores desenvolvendo soluções tecnológicas que podem ajudar a cidade a se tornar mais eficiente. “Entretanto, há um enorme déficit de infra-estrutura em diversos setores que inviabilizam a implantação de grande parte das soluções inteligentes”.

Paraibanos longe do Top 10

Na saúde, educação e tecnologia, nenhuma cidade paraibana alcançou o top 10, mas se colocam em posição intermediária, entre as 50 melhores. No primeiro quesito João Pessoa aparece na 20ª posição levando em conta número de leitos, de médicos, cobertura do Programa de Saúde da Família e taxa de mortalidade infantil.

Na educação, Campina Grande se destaca no Estado, chegando a 21º lugar. Aqui entram questões como matrículas na rede pública, vagas em universidades e médias no Enem e no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). João Pessoa aparece em 26º lugar.

Campina também sai na frente quando o assunto é tecnologia e inovação, aparecendo em 17º lugar ante o 29º da Capital. Nesse caso, o que entra na conta são dados como cobertura de internet fixa e móvel, patentes e bolsas CNPQ. Em cinco indicadores, nenhuma cidade paraibana conseguiu figurar entre as 50 mais inteligentes do país: mobilidade, urbanismo, energia, economia e governança.

A reportagem tentou entrar em contato com quadros da Prefeitura Municipal de Campina Grande para obter uma avaliação dos resultados, mas não foi atendida.

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