segunda, 18 de janeiro de 2021

Meio Ambiente
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Belo e importantes, parques sofrem com o lixo

Bruna Vieira / 05 de junho de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
O cartão de visita do Parque Estadual das Trilhas dos Cinco Rios é a lagoa, à margem da PB-008, sentido João Pessoa-Conde. Infelizmente, o lixo saúda os visitantes. O parque se fundirá com o Aratú e o Jacarapé. A conclusão do processo não tem data marcada, porém, a demarcação e cercamento já começaram e 25% da área está consolidada, segundo o secretário-executivo do Meio Ambiente do Estado, Fabiano Lucena. A Paraíba tem 41 unidades de conservação, 14 delas são parques. E os problemas são semelhantes: ocupação desordenada, desmatamento, caça, lixo...

Fabiano Lucena explicou como será a junção dos três parques: “Vamos fundir Aratú e Jacarapé fazendo a demarcação e o cercamento das árvores, através do Programa de Compensação Ambiental, em andamento desde abril. Empresas com potencial poluidor dedicam até 0,5% do custo de instalação para tirar a licença. Esse recurso tem que ser aplicado nas unidades, de preferência as de proteção integral. O Parque das Trilhas, com 514 hectares foi contemplado e, por isso, se juntará aos dois, para que também sejam beneficiados”, informou.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, o jornal traz a análise de gestores e ambientalistas sobre as unidades de conservação. Eles apontam o caminho para a preservação ideal.

"Nunca implementaram gestão, houve ocupação irregular. Cada unidade tem que ter plano de manejo, conselho gestor e sede e não têm. Com a fundição (Parque das Trilhas, Aratu e Jacarapé) terão. A Secretaria de Meio Ambiente elabora a política, concede o espaço, define o território e acompanha a obra, mas a gestora é a Sudema. Dois terços da população brasileira vive na mata atlântica, uma motivação para preservar”, disse Fabiano.

Cerca para evitar grilagem

Segundo o secretário-executivo do Meio Ambiente, Fabiano Lucena, o Parque das Trilhas está demarcado e grande parte já está protegida por cerca. “O cercamento vai garantir a consolidação, o que evita grilagem de terra e invasão. A cerca funciona bem quando colocada em lugares estratégicos, para contenção da degradação. Há muito tempo os parques sofrem com a questão turística e ocupação desordenada de áreas públicas. Quanto mais desordenado, mais chegam às margens dos rios. Se deixar, chega até esgotos. A exemplo do Jaguaribe e outros da nossa cidade. O Cuiá, Jacarapé e Aratu deságuam no mar, na Praia do Seixas e Penha, onde tem vida marinha, e compromete a balneabilidade”, afirmou.

Cada país tem um Sistema Nacional de Unidades de Conservação que define em quais categorias elas serão classificadas. “É para proteger 10% do território marítimo e 17% terrestre. O Snuc está dividido em dois grandes grupos: de proteção integral (não pode fazer uso direto, extrair madeira, pescar, caçar e a propriedade é do Estado) e de uso sustentável (pode usar sobre regras de manejo sustentável, propriedade particular). Dentro deles há várias modalidades. Por exemplo, o parque permite uso público e atividades em contato com a natureza. Já a Mata do Buraquinho é refúgio de vida silvestre, mais restritivo. O monumento é de proteção integral para não danificar, a finalidade é visitação turística. As reservas são de uso sustentável. É em audiência pública com a população que isso é determinado. E ainda há as Áreas de Proteção Ambiental, como Roncador, Cariri, Estação Ecológica Pau Brasil”, esclareceu.

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Falta consciência. Na entrada do Parque das Trilhas dos Cinco Rios, sacolas, copos descartáveis, embalagens de comida, cigarros, garrafas. Bem diante da pintura no muro que diz “ao sair, deixe apenas pegadas”. Morador há 10 anos, Márcio Minervino está se despedindo do local. Não é só a poluição que assusta. “Fim de semana é muito agitado, muitos banhistas, que deixam muito lixo. Durante a semana, à luz do dia, pessoas vem usar drogas. Estava tomando banho na lagoa quando atiraram da mata, me escondi debaixo d’água. Levaram todos os nossos pertences. A água é limpa, só que foi a última vez que fui”, lamentou o caseiro.

Na comunidade mais próxima, Jacarapé, dona Maria Vasco Soares, 71, lembrou o passado. “Era só mata aqui. Hoje muita gente tira madeira, mesmo sabendo que é proibido. Moro há mais de 50 anos. Temos que cuidar da natureza ou ela se volta contra nós. O açude (lagoa) é muito visitado, a água é limpa. Na comunidade temos cuidado com o lixo”, contou a aposentada.

Longe do ideal. O biólogo Douglas Zeppelini aponta que o principal problema é a falta do plano de manejo. É este documento que diz quais as estratégias de conservação e uso das UCs. “É uma exigência legal, que deve ser elaborado entre um e dois anos após o estabelecimento das unidades. Mas, cronicamente, isso não acontece. São só áreas que estão lá e nada está sendo feito efetivamente para conservar ou manter. Sem o plano, não há método de trabalho, pode ser invadida por caçadores, exploração madeireira e uso irregular”, afirmou.

Douglas, que também é professor da Universidade estadual da Paraíba critica as políticas em Areia Vermelha. “Areia Vermelha é um modelo de como não fazer. Não observaram o uso já tradicional feito quando foram estabelecer a categoria. Um parque que não permite nenhum tipo de exploração. E não tem como tirar quem já comercializava”, destacou.

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