sexta, 21 de setembro de 2018
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Mais de 5,8 mil bebês nasceram prematuros em 2017 na Paraíba

Aline Martins / 03 de março de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Embora haja grande expectativa em torno do nascimento de um bebê, nenhuma mulher está preparada para cuidar de um recém-nascido prematuro. Nessa fase, é necessário ter um cuidado especial. As maternidades públicas Instituto Cândida Vargas (ICV) e a Maternidade Frei Damião, em João Pessoa oferecem métodos de aproximação da mãe com o filho, fazendo-as perder o medo de pegá-los, e também contribuindo para o desenvolvimento dos pequenos.

Além da prematuridade, o filho da atendente Angelita Ferreira, 38, que tem pouco mais de um mês de vida, também tem cardiopatia. Ele nasceu com 35 semanas em janeiro, no ICV. “Nós fomos para casa e depois que voltamos para uma consulta de rotina com a pediatra ele estava um pouco frio e roxo. A médica pediu alguns exames e descobrimos que ele é cardiopata. Ele foi logo internado e estamos aguardando a cirurgia”, comentou a moradora de Guarabira, no Agreste paraibano.

Enquanto isso, o bebê participa de alguns métodos oferecidos pela maternidade como o Canguru, que é de grande importância para o bebê que recebe o calor da mãe. Essa é a segunda gestação de filho prematuro de Angelita. O primeiro foi há cinco anos, mas após o nascimento o bebê não resistiu. Nas duas situações, a atendente teve pré-eclâmpsia (distúrbio na gestação que se caracteriza por um quadro de pressão arterial) e a orientação médica foi o parto prematuro.

Também participam desse método, os gêmeos da dona de casa Laurizete Gonçalves da Silva, 24, que mora em Cajazeiras, no Sertão. Eles são os primeiros filhos dela e nasceram com 34 semanas. Os bebês e a mãe já estão há alguns dias internado. Ela contou que, antes do parto, passou uma semana internada no hospital da cidade onde reside por conta da pressão alta. Um dia após a alta hospitalar, surgiram às primeiras dores do parto. Ao chegar ao Instituto Cândida Vargas, as crianças nasceram. “Não estava preparada para ter gêmeos e nem prematuros”, frisou.

Predisposição a prematuridade



De acordo com o ginecologista e obstetra Romeu Menezes, a prematuridade ainda é uma incógnita, ou seja, não tem um motivo específico que leve ao bebê nascer antes do período ideal. O médico, que atende pelo Hapvida, comentou que uma gestante com infecção urinária tem pré-disposição a ter um filho prematuro, mas isso não é um indicativo que vai acontecer a todas. Da mesma forma explicou que a falta de acompanhamento da gestação, como o pré-natal, não é possível afirmar que o bebê será prematuro.

Entre 34 e 37 semanas, o médico informou que é um prematuro, mas sem tantas complicações, diferentemente dos que nascem abaixo dos 34. Romeu Menezes comentou ainda que é necessário ter um cuidado especial com os prematuros. “Eles são acompanhados em uma UTI Neonatal e fica no local até uma certa maturidade”, disse, acrescentando que isso vai depender grau de evolução de cada paciente. “Na medicina não tem como apontar uma exatidão, vai depender de cada paciente”, frisou. “Se for muito pequeno, ele pode ficar no hospital até atingir o peso. Se tiver alguma dificuldade de respiração, fica até conseguir respirar normalmente”, comentou.

Serviço

Na maternidade Frei Damião, no ano passado, nasceu 158 bebês prematuros. A unidade de saúde desenvolve um trabalho de ajuda de recém nascido e mãe. Segundo a enfermeira e coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI Neonatal), Júlia Martins, para ter acesso aos serviços disponibilizados o bebê prematuro precisa estar interno na unidade de saúde, apresentar quadro de saúde estável e condições de receber o método. Ela comentou que são ofertados serviços como método canguru, hora do soninho, banho de ofurô, além da shantala e redinha.

Método Canguru completa 19 anos



A médica pediatra Ionise Barbosa Simões de França, do Instituto Cândida Vargas, é fundadora do Método Canguru na Paraíba – maternidade referência no Estado. Ela explicou que no início se chama Mãe Canguru, mas como o pai também participa se adotou essa nomenclatura. Hector Martins e Edgar Reis foram os criadores do método em Bogotá, na Colômbia.

“Eles passaram essa experiência para o Brasil e o Imip absorveu essa experiência e nós aprendemos muito com o Imip para poder implantar esse método. Apareceram muitos prematuros na maternidade e a gente sentiu essa necessidade de imitar esse trabalho”, comentou, destacando que contou com o apoio do médico Josivaldo Ataíde que era diretor do ICV e da Secretaria Municipal de Saúde. A troca de calor é importante, pois ele sai da incubadora e recebe o calor da mãe. O método foi criado em agosto de 1999.

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