sábado, 20 de julho de 2019
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Mais de 19 mil índios comemoram 519 anos de resistência na Paraíba

Aline Martins / 19 de abril de 2019
Foto: Arquivo
Os primeiros povos a habitarem o Brasil foram eles, os índios. Hoje, 19 de abril, data alusiva, criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto-lei de número 5.540, se comemora “os 519 anos de resistência e de luta para manter viva a identidade indígena, desde a chegada dos portugueses”. Foi assim como definiu um dos líderes dos Potiguara na Paraíba, José Ciríaco, mais conhecido como capitão Potiguara.

Somente em solo paraibano, conforme o Censo de 2010, viviam mais de 19 mil pessoas que se autodeclararam índios. Amanhã, na Aldeia São Francisco, no município de Baía da Traição, no Litoral Norte, será comemorada a data com a apresentação dos rituais indígenas, que contará com a presença de autoridades estaduais. Na próxima semana ocorrerão as aberturas do “Mês de Vacinação dos Povos Indígenas”, pois pela primeira vez o Estado foi escolhido para abrir esse evento, e também do tradicional Jogos Indígenas.

Os Potiguaras residem em Marcação, Baía da Traição e Rio Tinto. “Manter a nossa identidade nesses três municípios é fantástico para todos nós. É comemorar os 519 anos de resistência e de luta dos povos indígenas no Brasil e principalmente na Paraíba”, comentou o capitão Potiguara.

É importante ressaltar que esta data não foi escolhida à toa. Ela está ligada a um protesto dos indígenas durante o Congresso Indigenista Interamericano, na década de 1940, no México. A proposta do evento era debater medidas para proteger os índios no território, mas muitos deles boicotaram a presença nos primeiros dias. Porém, no dia 19 de abril eles decidiram participar. Daí veio o dia.

Em relação a saúde, o capitão José Ciríaco comentou que seu povo é considerado privilegiado.

“Nós temos a Sesai [Secretaria Especial da Saúde Indígena] que nenhum outro povo tem, nem cigano, nem quilombola... Essa Secretaria é como se fosse o nosso plano de saúde. Nós temos 30 veículos que dão apoio ao povo nesses três municípios”, frisou, destacando que quando há determinações da Procuradoria Federal, os recursos também acabam sendo destinados para outros povos indígenas que não contam com o mesmo apoio dos governantes para a saúde, pois ainda estão em fase de reconhecimento das terras.

“A Sesai foi uma grande luta do povo para que nos fossem oferecidos um atendimento especial e por conta disso foi criada em 2009 a Sesai, dentro do Ministério da Saúde”, revelou. Além disso, o capitão Potiguara informou que na próxima quarta-feira será realizada a abertura do “Mês de Vacinação dos Povos Indígenas”. O lançamento será feito pelo secretário especial da Sesai, Marco Antônio Toccolini, às 9h, na Aldeia do Forte, no município de Baía da Traição.

Sobre a educação, José Ciríaco comentou que os indígenas estudam em escolas municipais e em escolas indígenas estaduais. Somente da rede do Estado são 10 unidades. Elas oferecem o ensino na língua Tupi e 80% dos alunos matriculados são índios.

Na grade curricular há a formação sobre a História, Arte e cultura do povo. No entanto, nas instituições municipais é um pouco diferente, pois ainda está sendo formado os profissionais que ministrarão as aulas. Alguns indígenas estão sendo formados, por meio do Magistério Indígena, para trabalhar nessas unidades. Além disso, passarão por curso de Tupi, que deve ser ofertado pela Secretaria de Estado da Educação (SEE).

Já no panorama da infraestrutura, não há reclamações. “Vários acessos as aldeias foram pavimentados e tem a proposta de pavimentar mais ruas. Isso é muito bom para todos”, comentou, destacando que as cidades como Baía da Traição são turísticas.

No mesmo dia da abertura da campanha de vacinação será feita a dos Jogos Indígenas. Serão atividades esportivas durante uma semana na Aldeia Jacaré de César.

Povo Tabajara vai fazer eventos nos dias 29 e 30



Nos próximos dias 29 e 30 deste mês, os povos Tabajaras, farão o 1º Grito Indígena Tabajara da Paraíba, na Aldeia Vitória, na Mata da Chica, no município do Conde, Litoral Sul do Estado. Nos dois dias, os indígenas farão o Toré Indígena. Várias autoridades foram convidadas para discutir a questão indígena no Estado. Destacam-se reitores de três instituições de ensino superior do Estado, governador, prefeito, deputados, senadores, representantes do Ministério Público Federal, Tribunal Justiça da Paraíba, entre outros.

De acordo com o cacique geral, Ednaldo dos Santos Silva, haverão mesas redondas, diálogos e rodas de conversas. Haverá também apresentação do artesanato, gastronomia, pintura indígena e livros sobre os indígenas.

Entre os dias 24 e 26 de abril, os povos indígenas participarão de um acampamento, em Brasília. O levantamento mostrou que há 750 índios Tabajara na Paraíba.

“Só que temos um novo relatório que ainda será divulgado que mostra que existem 2,2 mil índios Tabajara”, frisou. Eles lutam pelo reconhecimento das terras.



 

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