sábado, 16 de janeiro de 2021

Luto
Compartilhar:

Maroca: Um das irmãs ‘ceguinhas de Campina Grande’ foi enterrada neste domingo

Redação / 27 de março de 2017
Foto: Divulgação
Foi enterrada nestaontem em Campina Grande, aos 72 anos, após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), Maria das Neves Barbosa, a Maroca, artista cega que embolava ganzá com as suas irmãs Poroca e Indaiá, mais conhecidas como ‘As ceguinhas de Campina Grande’.

“Eu queria muito estar perto delas”, lamenta o diretor carioca Roberto Berliner, que está de férias em Roma na Itália. O cineasta produziu no final dos anos 1990 um programa de TV com as paraibanas que, em 2004, originou o longa A Pessoa é Para o que Nasce, filme que teve grande repercussão no meio cinematográfico. A cena final do documentário traz as irmãs nuas tomando banho na praia de nudismo de Tambaba, no Litoral Sul paraibano, o que gerou muitos debates em festivais pelo país.

No mesmo ano de lançamento da produção e também recentemente, em 2015, as três irmãs cegas de nascença receberam a Ordem do Mérito Cultural, por propagar a cantoria de emboladas e ritmos tipicamente nordestinos.

Tendo uma vida difícil desde a infância, Maroca, Poroca e Indaiá trabalharam na lavoura desde crianças, sendo ‘alugadas’ como mão-de-obra temporária pelo próprio pai, que era alcoólatra. Quando ele morreu, as irmãs passaram a se apresentar pelas ruas de Campina Grande, cantando e tocando ganzá. Com as doações que recebiam, sustentavam 14 parentes.

Em constante contato com seus personagens, Roberto Berliner relembra que a última visita aconteceu no último mês de 2015, quando estava na Paraíba durante o Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, em João Pessoa. Da Capital, ele deu um pulo para Campina Grande para matar a saudade das grandes amigas. “Foi uma visita muito legal. Elas estavam morando com a Valquíria, que cuidava muito bem delas”, conta o diretor, que chegou a presenteá-las com uma casa após as filmagens.

Mesmo se distanciando com o tempo, Berliner fala que tem uma grande admiração pelas três. Falei ontem com Indaiá e Poroca. Estou arrasado. É uma história que é para sempre por causa dos laços que fizemos há mais de 20 anos”, conta o diretor carioca.

 

Relacionadas