quarta, 19 de dezembro de 2018
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Amigos e familiares relembram o trabalho de Biu Ramos

André Luiz Maia / 31 de julho de 2018
Foto: Arquivo
A habilidade de lidar com as palavras pode ser uma arte dominada por um número significativo de escritores, mas saber o impacto que elas podem causar e trabalhar em cima disso é para poucos. Um destes era Severino Ramos, ou Biu Ramos, como ficou conhecido, que deixa seu legado para a cultura e sociedade paraibana. O jornalista e escritor faleceu no fim de semana passado, aos 79 anos, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia.

Sua trajetória profissional se confunde com a própria história do jornalismo paraibano. Foi escrevendo para as páginas do Correio que Severino Ramos começou a sua caminhada pelas letras, em 1954, com apenas 17 anos. Não seria uma trajetória pálida, muito pelo contrário. Pouco tempo depois, viu de perto como uma notícia fervilhava como um caldeirão dentro de uma redação, quando o então presidente Getúlio Vargas se suicidou. Dali em diante, seria uma vida intensa dedicada à profissão.

Foi nesta época que conheceu Martinho Moreira Franco. “Ele me acolheu como crítico de cinema no jornal. Nasceram aí nossa amizade e nossas relações profissionais. Para onde ele ia, costumava me convidar. (...) Ensinou-me o que sei sobre jornal - ele e Gonzaga Rodrigues”, declarou Martinho.

Outro de seus parceiros profissionais, amigo pessoal e genro é o jornalista William Costa. Para William, sua principal característica era mexer com as estruturas utilizando apenas caneta e tintas.

“Ele tinha um texto com estilo próprio, conciso e era muito contundente em suas opiniões. Como repórter de política, ele mesmo se considerava um polemista, interferindo no contexto social com seus artigos. Não tinha um artigo que Biu escrevesse que não causasse repercussão, comentários e reflexões por conta de suas opiniões. Era um estilista da palavra”, relembra.

Depois de 14 anos consecutivos no Correio, também escreveu colunas para jornais como O Norte e foi correspondente para veículos nacionais como Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, Veja e Realidade, além de ter sido o primeiro diretor da sucursal do Diário de Pernambuco na Paraíba. Também foi diretor-presidente da Rádio Tabajara, superintendente do jornal A União e secretário de Cultura no governo de Tarcísio Burity.

O jornalismo não foi sua única plataforma de expressão por meio das palavras. A escrita literária também lhe deu reconhecimento. William Costa afirma que um de seus livros favoritos de Biu Ramos é Agripino – O Mago de Catolé, uma biografia do governador João Agripino. “Um livro com uma escrita literária muito boa, com qualidade”, define. Seu livro mais famoso é Os Crimes que Abalaram a Paraíba, no qual resgata alguns dos casos mais impactantes do estado, como a morte do líder da Liga Camponesa de Sapé, João Pedro Teixeira.

Sua morte encerra mais um dos capítulos da era de ouro de jornalismo, mas o legado que deixa serve de inspiração para os profissionais que continuam a defender a profissão de articulista das palavras.

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