domingo, 15 de julho de 2018
Cidades
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Lixo é depositado às margens do Rio das Bombas, no bairro do Roger

Bárbara Wanderley / 21 de março de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
A irregularidade na destinação do lixo em João Pessoa atinge também os rios. No bairro do Róger, um ponto de coleta de recicláveis funciona ao lado do Rio das Bombas, e o material está sendo acumulado em cima da vegetação que beira o rio, uma área de preservação ambiental.

Morador da região, Márcio Araújo, de 45 anos, contou que costumava se banhar no rio quando era adolescente, e que as águas eram limpas até cerca de 20 anos atrás. Atualmente, ele acredita que o rio está poluído e que há despejo irregular de dejetos no local. Apesar disso, ele afirmou que tem amigos que ainda costumam pescar na área.

O Rio das Bombas é um dos quatro rios paraibanos monitorados pelo projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica. Os outros rios são o Passassunga, em Caaporã; o Mamanguape, no município de mesmo nome e também em Rio Tinto; e o Rio Preto, em Santa Rita.

O Índice de Qualidade da Água (IQA), medido por cinco grupos do Observando os Rios nesses quatro rios, foi considerado regular, de acordo com estudo publicado no início da semana. A comparação entre os ciclos de 2017 e 2018 aponta que não houve variação significativa na qualidade da águas dos rios Mamanguape e Preto.

De acordo com a publicação, os dados comparativos da evolução do IQA dos demais rios monitorados serão incluídos no próximo relatório, quando os grupos locais terão reunido séries de coletas e dados mensais do ciclo completo.

O coordenador técnico do programa Observando os Rios, Gustavo Veronesi, afirmou que grande parte da poluição encontrada nos rios paraibanos decorre de esgotamento sanitário deficiente. “O esgoto, ao invés de ser levado para uma estação de tratamento, está sendo jogado direto nos rios. Muitas vezes, inclusive, antes de chegar ao rio, fica passando nos pés das pessoas. Isso é uma coisa que observamos aí em João Pessoa”, disse.

Para ele, a solução passa pelo tratamento do esgoto. “Ao que parece, assim como em outros lugares do Brasil, o poder público deixa os sistemas de esgotamento sanitário em segundo plano, como se não fosse importante. Há de fato uma dificuldade de entendimento de que coletar e tratar esgoto significa dar saúde para a população”, comentou.

Semam

O secretário adjunto municipal do Meio Ambiente, Djalma Pereira de Castro Filho, informou à reportagem que enviaria uma equipe para averiguar a situação.

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