segunda, 10 de dezembro de 2018
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Lixão do Roger foi extinto há anos, mas o entorno é poluído por falta de posto de coleta

Bárbara Wanderley / 20 de março de 2018
Foto: ASSUERO LIMA
Cansados de esperar por um local adequado para o trabalho de separação de recicláveis, vários catadores organizaram de maneira improvisada um ponto de coleta para esses resíduos, localizado em frente ao antigo Lixão do Roger, em João Pessoa. A situação é um dos problemas da falta de implantação das medidas estabelecidas no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) pelos municípios paraibanos. De forma desorganizada, o material reciclável é acumulado nos arredores do antigo lixão, que beira a linha férrea. Não há cobertura ou paredes, apenas uma balança e um funcionário que pesa o material recebido. De acordo com o funcionário, este ponto é particular, mas tem autorização da prefeitura para funcionar.

A catadora Patrícia Kelly, que estava pesando seu material, afirmou que vive da coleta de recicláveis há 16 anos. Ela contou que, além de coletar materiais de todos os tipos no entorno da Lagoa do Parque Sólon de Lucena, também tem acordo com algumas pessoas que separam o lixo reciclável de suas casas e doam para ela. “Eu entro na casa das pessoas só para pegar isso”, disse. Ela lembrou ainda, que não é sempre que vai a esse ponto de coleta no Roger. “Às vezes vou em outros, tem muitos”.

O que Patrícia provavelmente não sabe é que está colocando sua saúde em risco ao levar seu material para esse local. É o que afirma o promotor do Meio Ambiente da capital, José Farias. Ele destacou que mesmo a comunidade com algumas casas que existe no local não deveria estar ali.

O Correio da Paraíba apresentou, na edição do último domingo, as dificuldades dos municípios paraibanos em atender à PNRS. Na capital, o principal problema é a falta de coleta seletiva universalizada, de acordo com José Farias. Além disso, há pontos de coleta de recicláveis que estão irregulares.

O promotor afirma que há um ponto de coleta de recicláveis dentro do próprio aterro sanitário metropolitano, o que não deveria ser permitido. Segundo ele, os catadores não deveriam ir até o aterro, pois o local libera gases que podem causar explosões e, assim como uma fábrica, precisa ter uma segurança rígida.

José Farias explicou ainda, que a empresa que venceu a licitação para fazer o aterro se comprometeu a construir 10 galpões para serem usados pelos catadores de recicláveis, mas até agora isso não foi cumprido. “Sei que alguns já foram construídos. Em Mangabeira, por exemplo, tem um. Não está muito bem adequado às normas, mas é coisa fácil de resolver”, comentou.

Resposta da Emlur. O superintendente da Autarquia Municipal de Limpeza Urbana da Capital (Emlur), Lúcius Fabiani, afirmou que foi a própria Emlur que procurou o Ministério Público para que tente um acordo com a empresa que construiu o aterro sanitário para que esta instale os dez pontos de coleta na cidade, conforme o contrato firmado à época. “Esse contrato é de 2003 e até hoje nós cobramos a implantação desses pontos de coleta. Inclusive, a Prefeitura já indicou as áreas onde esses pontos poderiam ser instalados, mas a empresa alega desequilíbrio financeiro. Como o aterro sanitário só existe em João Pessoa, o contrato não prevê sanção pelo descumprimento. Por isso, buscamos o Ministério Público”, detalhou Lúcius Fabiani.

Já sobre a instalação de pontos de coleta dentro do aterro, o superintendente da Emlur alegou que é uma situação intermitente e que após feita a coleta dos materiais recicláveis pelos catadores, os demais resíduos são recolhidos e devolvidos para o aterro.

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