domingo, 19 de maio de 2019
Litoral
Compartilhar:

Banhistas aproveitam dias de sol, mas é preciso cuidado com trechos impróprios

Beto Pessoa e Lucilene Meireles / 26 de dezembro de 2018
Foto: Beto Pessoa
Paraibanos e turistas que aproveitaram o feriado de Natal para ir à praia, mas muitos desavisados tomaram banho em áreas impróprias. Segundo último relatório de balneabilidade do Litoral paraibano, divulgado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), trechos da praia de Manaíra e mais sete outras devem ser evitados pelos banhistas, devido as condições da água.

Em Manaíra, o laboratório da Coordenadoria de Medições Ambientais (CMA) da Sudema aponta dois trechos da Avenida João Maurício como impróprios para o banho, sendo um entre a final da Rua Elizeu Cândido Viana e final da Avenida Geraldo Costa, e o outro no final da Avenida Bananeiras.

A vendedora Stefani Medeiros, 26 anos, não sabia que o trecho da praia de Manaíra está impróprio e por isso tomava banho no local. “Sempre venho para essa área porque fica próxima ao ponto de ônibus e porque acho mais tranquilo”, disse.

Na praia de Cabo Branco, não está apropriado o trecho localizado na rotatória da final da Avenida Cabo Branco, onde há uma galeria pluvial; e na Praia do Seixas, no final da Rua dos Pescadores, enquanto na Praia da Penha está impróprio o trecho da desembocadura do Rio do Cabelo; na Praia de Jacarapé, na desembocadura do rio homônimo; e na Praia do Arraial, na desembocadura do Rio Cuiá.

Já no município de Pitimbu, no Litoral Sul, a Praia do Maceió não está apropriado para o banho o trecho localizado na desembocadura do Riacho Engenho Velho. Em Cabedelo, a Praia do Jacaré, que é uma praia fluvial, que fica à direita do estuário do Rio Paraíba, também está imprópria. Em todos os casos, o laboratório do órgão ambiental adverte o banhista a ficar afastado 100 metros à esquerda e à direita desses pontos impróprios.

As demais praias litorâneas estão classificadas como excelente, muito boa e satisfatória.

Crescem ocorrências com aguá-vivas

As altas temperaturas que indicam a chegada do Verão acabam atraindo um grande número de pessoas às praias. Porém, além de mais banhistas, ocorre também um aumento da presença de águas-vivas e caravelas, animais marinhos que, em contato com a pele, pode causar queimaduras. Por isso, é preciso atenção. Este ano, de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB), o número de atendimentos a pessoas atingidas por águas-vivas e caravelas já é 137% maior do que em todo o ano de 2017.

Embora em menor quantidade, as águas-vivas e caravelas aparecem em qualquer época do ano, segundo a tenente Isabel Reis, do Batalhão de Busca e Salvamento do CBMPB. “Este período, no entanto, acaba sendo mais propício por causa das mudanças nas correntes marítimas que estão associadas à ação dos ventos. Com isso, as águas-vivas são carregadas para as áreas de praia”, esclareceu.

Outro fator que contribui para o aumento da quantidade de águas-vivas, conforme a tenente, é a diminuição da população de tartarugas marinhas, que são os predadores naturais desses animais. O fenômeno, inclusive, ocorre em escala global. Isabel Reis ressaltou que as queimaduras ocorrem porque tanto as águas-vivas quanto as caravelas possuem nematocistos nos tentáculos, com substâncias urticantes.

A bióloga Rita Mascarenhas, que coordena a ONG Guajiru, acrescentou que as águas-vivas são animais marinhos gelatinosos que possuem células especiais no corpo chamadas cnidoblastos. “Essas células têm uma espécie de veneno que serve para paralisar as presas das quais se alimenta. Quando o animal toca a presa, as células liberam o veneno que, em humanos, provoca uma sensação de queimadura”, explicou.

Guarda-vidas

No Litoral paraibano, os guarda-vidas fornecem informações sobre a existência ou não de animais no local. Eles dispõem ainda de vinagre para lavar o ferimento caso algum banhista sofra queimadura.

Contribuições. O número de águas-vivas está aumentando também devido ao aquecimento das águas do mar, reflexo das mudanças climáticas, e também pela maior quantidade de matéria orgânica vinda do continente, ou seja, poluição.

“Como não são bons nadadores, boiando praticamente à deriva, águas-vivas e caravelas acabam parando em águas rasas e na praia e, assim, interagindo acidentalmente com humanos”, observou Rita Mascarenhas, da ONG Guajiru.

Algumas espécies, segundo ela, podem ser de água doce, mas a grande maioria é marinha. A melhor prevenção, de acordo com a bióloga, é prestar atenção antes de entrar na água e sair caso os animas sejam avistados.

Relacionadas