segunda, 12 de abril de 2021

Justiça
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MP pede sigilo na investigação de pedofilia na igreja católica da Paraíba

Ainoã Geminiano / 17 de agosto de 2016
Foto: Arquivo
São graves e numerosas as denúncias de exploração sexual de menores, envolvendo membros da Igreja Católica, protocoladas no final da tarde da última segunda-feira, no Ministério Público Estadual (MPPB), segundo o procurador Eduardo Varandas, do Ministério Público do Trabalho (MPT), que iniciou as investigações. O processo que pode resultar em um dos maiores escândalos sexuais envolvendo padres paraibanos, está sendo tratado com absoluto sigilo, para evitar fuga de investigados e destruição de provas. Para dar uma dimensão da gravidade dos fatos investigados, Varandas adiantou apenas que se trata do processo mais difícil de sua carreira, que ainda há muito a apurar e que foi necessário dividir a investigação com vários órgãos, para que todas as vertentes sejam apuradas.

Varandas não especificou o tempo de investigação que já transcorreu, o número de suspeitos e de vítimas, nem em que cidade vivem essas pessoas. Apenas confirmou que se trata de um esquema de exploração sexual de crianças, que classifica como a forma mais cruel de trabalho infantil. “Já acionei todos os órgãos investigadores, entre eles o Ministério Público Estadual (MPPB) e a própria Igreja Católica, enviando informações direto para o Vaticano, porque temos os aspectos cível, trabalhista e criminal a serem apurados”, disse.

“Ao Ministério Público do Trabalho compete buscar a reparação de danos às vítimas, à família e à sociedade, seja através de indenizações ou indisponibilidade de bens. Ainda não sabemos a quem caberá essa reparação. Primeiro queremos saber quem fez o que, para depois saber quem terá que indenizar, se a igreja ou os investigados”, acrescentou Varandas.

Ao MPPB cabe apurar a responsabilidade criminal das denúncias, o que pode resultar em prisão. Até o início da noite de ontem não havia uma definição do promotor que irá conduzir essa investigação. O coordenador da Promotoria Criminal, José Guilherme Soares, disse que há um trâmite burocrático a ser seguido, até a distribuição do processo. “Eu recebi o documento que foi protocolado pela Polícia Federal, mas não fiz nenhuma leitura, o que deve ser feito por quem for designado para o caso. Eu apenas entreguei no setor de distribuição”.

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