quinta, 14 de novembro de 2019
Justiça
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Esquema existia desde de 2007, diz ex-prefeito de Cabedelo em interrogatório

Adriana Rodrigues / 10 de julho de 2019
Foto: Arquivo
O ex-prefeito de Cabedelo, Leto Viana, foi interrogado por mais de quatro horas pelo juiz Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, da 1ª Vara da Comarca de Cabedelo, na terceira rodada das audiências da Operação Xeque-mate, iniciada nessa terça-feira (9), às 9h, no Fórum da cidade. Ele chegou ao local usando colete à prova de balas.

Durante o interrogatório, Leto revelou que o esquema de cartas-renúncias funcionava na Prefeitura de Cabedelo desde 2007, na gestão do ex-prefeito o prefeito era José Régis. Além disso, revelou que o seu maior pecado foi “adorar um amigo”, se referindo ao empresário Roberto Santiago, que segundo ele era quem dava as ordens na administração municipal e recebia pelo contrato de coleta de lixo e outros serviços.

O ex-prefeito, que está preso preventivamente desde 3 de abril do ano passado, detalhou como se deram os crimes investigados na operação e buscou, a todo tempo se livrar do posto de líder da organização criminosa. Ele revelou que foi procurado pelo empresário Roberto Santiago, em 2013, que pediu apenas para ele se preparar para a posse.

O ex-prefeito de Cabedelo atribuiu a Olívio Oliveira, Fabiano Gomes e Lucas Santino a articulação, com o empresário, para a compra do mandato de Luceninha. Sobre Santino, ele atribuiu ao ex-presidente da Câmara Municipal várias articulações para o recebimento de vantagens indevidas. O ex-vereador foi o primeiro delator do esquema.

O ex-prefeito revelou ainda, que Luceninha disse a Olívio que estava precisando do dinheiro, que disse para Fabiano Gomes, que articulou com Roberto Santiago, que tinha interesse em barrar a construção de um shopping em Cabedelo. “Roberto não estava comprando um mandato para Leto, estava comprando um mandato para se defender e ter a proibição do shopping”.

O depoimento de Leto, que teve quase cinco horas de duração, foi bastante emocionado. Ele chegou a dizer que se afastou de Deus e que cegou diante da perspectiva de poder. O ex-prefeito disse que aceitou seguir “esse caminho” por amizade a Roberto Santiago, de mais de 37 anos. O empresário se encontra preso desde o março. Ele também é acusado de participação no esquema criminoso. Deu detalhes, também, sobre a contratação de uma empresa de lixo, pela prefeitura, atendendo aos interesses de Santiago.

Leto negou ainda que tenha enriquecido com dinheiro de corrupção. Negou a ocultação de bens e garantiu que se tornou um homem rico por ter herdado bens da família. Ao terminar seu depoimento, Leto ressaltou que seu propósito não era se defender. “Não estou aqui para me defender, mas para colaborar com a Justiça. Estou à disposição para o que precisarem de mim”.

Depois do ex-prefeito, que foi convocada para ser interrogada foi a esposa dele, a vereadora afastada Jaqueline França, que exerceu o direito legal de permanecer em silêncio. Apenas respondeu perguntas pessoais como nome completo, endereço, etc. O juiz Henrique Jácome afirmou que não faria perguntas, mas o promotor Manoel Cassimiro fez indagações mesmo assim. A todas as questões ela respondeu: “Uso meu direito de ficar calada”.

O terceiro a ser interrogado foi o vereador afastado, que também está preso desde 3 de abril do ano passado. Também foram interrogados ontem Antônio Bezerra do Vale Filho e Leila Maria Viana do Amaral. Até o fechamento desta edição estavam para ser ouvidos Adeildo Bezerra Duarte e o ex-presidente da Câmara de Cabedelo, Lúcio José.

Defesa. O advogado Jovelino Delgado acredita que revogação da prisão de Leto seja analisada nesta quarta-feira (10).

 

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