sábado, 17 de agosto de 2019
Justiça
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Em três anos foram registrados 2,2 mil casos de abuso sexual na PB

Ainoã Geminiano / 08 de maio de 2019
Foto: Arquivo
A cada dia, pelo menos duas crianças ou adolescentes são vítimas de abuso sexual na Paraíba. Nos últimos três anos foram registrados 2.286 casos, de acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Humano. Os registros são com base em atendimento de vítimas nos Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Somente nos primeiros três meses de 2019, 256 novos casos foram registrados. O dado de 2019 aponta uma média menor que os três anos anteriores, que pode resultar na diminuição dos casos, ao final do ano.

Um dos últimos casos deste ano está sendo investigado pela Delegacia da Mulher de Santa Rita, Grande João Pessoa. Nessa terça-feira (7), a Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram mandados de prisão e busca na casa do homem que é acusado de abusar sexualmente de uma adolescente, durante três anos. Uma história de violência que começou com um estupro à base de ameaça e terminou com o homem de 41 anos de idade, casado e pai de dois filhos, manipulando o emocional de uma adolescente, fazendo-a se manter em um relacionamento com ele, até chegar em uma gravidez.

“A história só foi descoberta por causa da gravidez. A família chegou aqui com a menina, nós fizemos os procedimentos legais e a levamos para a maternidade, onde foi feito o aborto legal e coletamos o DNA do feto para confrontar com o material do acusado e comprovar a paternidade. Isso também servirá de prova técnica do crime. No depoimento, a menina nos contou que o primeiro abuso aconteceu quando ela, ainda com 14 anos, pegou uma carona no carro do acusado. No caminho ele disse que precisava ir ao banheiro e entrou em um motel. Já no quarto, não chegou a mostrar arma, mas disse que tinha uma arma e que já havia matado uma pessoa em Pernambuco, ameaçando a garota e fazendo sexo com ela”, relatou a delegada Paula Monalisa Cabral.

O abuso mantido em segredo entre a vítima e o acusado favoreceu a continuidade do crime, com o homem exigindo outros encontros e repetindo as ameaças. “É frequente acontecer casos em que a vítima termina se envolvendo emocionalmente com o acusado. Ela é uma menina humilde e muito jovem, ele um homem de 41 anos, tendo todo potencial para seduzir a vítima. Por conta disso o crime chegou a três anos de duração, até a gravidez”, acrescentou a delegada.

O acusado segue sendo investigado, porque a polícia já trabalha com a possibilidade de ele ter feito outras vítimas na cidade.

Denúncia imediata. Para a delegada de Proteção à Criança Vítima de Violência da Capital, Joana Darc Sampaio Nunes, as campanhas de conscientização continuam sendo uma ferramenta importante para a prevenção aos crimes de violência sexual contra menores. Mas, mesmo assim os números continuam altos.

“Algumas questões são importantes destacar. Uma delas é que a vítima, assim que sofrer o abuso, não fique em silêncio. Mesmo que não queira contar para a família, procure outros meios, falar para alguém de confiança na escola, ou recorrer aos canais de denúncia anônima Disque 100, o 197 da Polícia Civil ou o 123, da Secretaria de Desenvolvimento Humano”, alertou.

Com relação ao perfil dos criminosos, Jorna Darc disse que continua predominando a figura do parente da vítima. “Isso se explica primeiro pela proximidade e convivência que o suspeito tem com a vítima. Além disso ele conquista a confiança da vítima, por ser um familiar, de quem a criança não espera ato de violência dessa natureza”, disse.

"Já temos notícia de que outra menina teria sido estuprada por ele. Fizemos a apreensão do computador e do celular. Enviamos os equipamentos para perícia e vamos ver se as informações que forem encontradas irão nos levar a outros crimes praticados por ele. Se confirmarmos esse outro estupro, que inclusive já teria sido investigado, o Ministério Público pretende juntar os dois casos, ao oferece a denúncia" delegada, Paula Monalisa Cabral.





 

 

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