sexta, 14 de maio de 2021

Justiça
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Caso Briggida: condenação do culpado já era certa para os familiares da professora

Bruna Vieira / 29 de setembro de 2015
Foto: Assuero Lima
Choro dos dois lados, arrependimento e perdão marcaram o júri popular do fotógrafo Gilberto Stuckert, ontem, no Fórum Criminal de João Pessoa. Sete jurados foram convocados para o conselho de sentença que decidiria o futuro do homem que estrangulou a professora Bríggida Lourenço, há três anos. A única testemunha de Stuckert, o pai do acusado, não compareceu. A condenação era certa até para o réu, que confessou o crime, e para a defesa, que torcia apenas para uma pena mais leve.

O júri foi conduzido pelo presidente do 1º Tribunal do Júri da Capital, o juiz Marcos William de Oliveira.

LEIA MAIS: Fotógrafo é condenado a 17 anos pela morte da professora Briggida

O pai de Bríggida demonstrava fé: “Vivo em sofrimento. espero que o julgamento seja justo e ele pague pelo ato que praticou. Se não houver justiça aqui, eu sei que com o pai superior haverá”, disse Joselito Lourenço da Silva.

Justiça era a expectativa do irmão da vítima, Íkaro Azevedo: “A gente não sabe o que vai acontecer, mas acredito na justiça. O que ele merece é estar num presídio comum, com outros criminosos. Pelas qualificativas do crime e a crueldade, ele pega entre 12 e 30 anos de prisão.

O crime

Era 19 de junho de 2012

9h - Briggida ligava para a vizinha preocupada com a visita de Gilberto, para buscar um computador, mesa, cadeiras e livros.

12h - amiga liga para Briggida, mas o celular está desligado.

13h45 - A vizinha interfona e toca a campainha. Ninguém  atende. A preocupação cresce. ela vai almoçar, volta e faz o mesmo procedimento. Ao notar a porta aberta, chama a polícia.

15h - A viatura da PM chega ao local.

17:45 - A irmã de Stuckert liga para a mãe de Bríggida, chorando e dizendo que ela fosse até o apartamento de Bríggida com o Samu para socorrê-la.

Os jurados

25 pessoas compareceram para o sorteio do júri

7 foram escolhidas

5 eram homens

2 eram mulheres

Doente

O pai do acusado, Gilberto Lyra Stuckert Filho, era a única testemunha da defesa, mas enviou atestado médico alegando que estava doente e não compareceu ao julgamento. O réu ameaçou processar quem divulgasse sua imagem.

Sem advogado

Em julho deste ano, Gilberto Stuckert abriu mão do advogado de defesa. O motivo não foi informado. Por isso, o defensor público José Celestino Tavares de Sousa, foi indicado para o caso. Ele disse que tentaria reduzir a pena. “A defesa vai trabalhar com o que tem. Haverá uma instrução plenária antes do júri. Esperamos uma pena menor”, afirmou.

Vizinha: “Ela tinha medo” 

Quatro testemunhas de acusação foram ouvidas. Devido ao parentesco entre elas e a vítima, o compromisso de testemunha foi retirado. A primeira foi a vizinha e amiga, Ana Andréa Vieira Castro de Amorim.

“Nos conhecemos em 2009. Ela estava casada com ele. Era um casal harmonioso. Ele tomou posse em um concurso em Brasília e queria que ela fosse. Ela não tinha pretensões de sair do Nordeste. A distância esfriou o relacionamento. Na semana santa, ela colocou um ponto final. Ela tinha medo e não queria estar só com ele. ‘Tu fica atenta!’. ‘Foi o que Bríggida me disse quando me ligou na manhã do crime”, disse, concluindo o depoimento com o desfecho trágico da morte da amiga.

Já a educadora física, Marta Maria Soares de Melo, prima de Bríggida, a última a depor, contou que até dezembro de 2011 o casal era “modelo”.

Mãe à base de calmantes

Embora tenha tomado calmantes antes de ir ao tribunal, a mãe de Bríggida, Roselma Azevedo, chorou em vários momentos. Não se sentiu bem enquanto Gilberto Stuckert depunha e se retirou. “Emocionalmente estou muito fragilizada. A saudade é infinita. Só estou aguentando pela minha neta. Ela precisa de cuidados, porque está com síndrome do pânico. Não fala sobre o assunto”, disse.

Roselma foi a segunda a depor: “Ela nunca revelou ameaças, não queria me preocupar. Eu é que tinha medo, sempre disse que não se pode confiar em homem”.

Sempre de cabeça baixa

Magro, abatido e de cabeça baixa, foi assim que Gilberto Stuckert permaneceu durante todo o julgamento. Ele se disse arrependido, se desculpa, lembrando a cena do crime: “Vi um álbum de fotos dela com outro homem. Era professor universitário e já deixei ela no apartamento dele algumas vezes em encontros de professores. Trocamos palavrões. Ela me deu uma pancada, me descontrolei e aconteceu. Acabei com a minha vida. Não sou o que a mídia diz. Eu a amava demais. Tentei suicídio. Quem me ajudou foram os pastores da Polícia e dos Bombeiros”, contou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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