sexta, 26 de fevereiro de 2021

Cidades
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JP tem pedintes que já fazem parte da paisagem urbana

Beto Pessoa / 11 de fevereiro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
João Pessoa tem aproximadamente 150 pessoas vivendo em situação de rua. Muitos fazem das calçadas suas moradas, outros, porém, utilizam as vias públicas como forma de ganhar algum trocado que dê para satisfazer a barriga no final do dia. Com memórias, origens e histórias distintas, eles guardam algo em comum: de tanto tempo que ali estão, já fazem parte da paisagem urbana.

Dona Maria da Paz de Souza nasceu no Sertão paraibano. Há bem mais de 10 anos fica das 7h às 16h na porta da Caixa Econômica Federal, localizada na Avenida Miguel Couto, Centro de João Pessoa. No rosto e nas mãos, as marcas de quem está prestas a completar 72 anos de idade passam a ideia de fragilidade, negada pelo corpo que diariamente insiste em se manter firme.

Maria da Paz tem como única fonte de renda os trocados de quem entra e sai da agência bancária. Todos os dias ela percorre em média 40 quilômetros, saindo de Cicerolância, distrito da Zona Rural de Santa Rita, na Região Metropolitana da Capital, até a Avenida Miguel Couto, em João Pessoa.

Depois que o filho foi preso, passou a morar só. Ela também tem uma filha mais nova, hoje grávida da segunda criança, que mora distante. Tirando do bolso duas fotos 3x4 das suas crias, ela fala da relação nem sempre tranquila.

“Ela é linda minha filha. Está grávida de uma menina. Ela já tem um maior. Meu filho também é muito bonito, olha, mas ele está preso. Ele não fez nada, mas foi preso. Ele morava comigo, mas agora vivo só”, disse Maria da Paz de Souza.

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