terça, 25 de junho de 2019
João Pessoa
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Motoristas de uber sofrem da insegurança e viram presas fáceis para bandidos em João Pessoa

Ainoã Geminiano / 08 de abril de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
Não demorou muito após a chegada do Uber a João Pessoa para que os veículos do aplicativo entrassem na mira dos bandidos. Descaracterizados, são discretos na hora de presta o serviço, mas estão se tornando presas fáceis de assaltantes, em várias regiões da Capital. No bairro dos Bancários, por exemplo, um grupo de criminosos se organizou para pedir corridas, durante vários dias e assaltar os motoristas quando chegavam ao local. Apesar dos relatos de condutores, a Associação dos Motoristas de Transporte Privado diz que o número de assaltos ainda é baixo, com relação a outros problemas, como os enfrentamentos com taxistas.

Paulo Ricardo de Lucena trabalha no aplicativo desde dezembro do ano passado e já passou por uma situação de risco. Ele acredita que não foi assaltado por um livramento divino. "Estava rodando de madrugada quando, por volta das 2h, recebi um chamado para o bairro de Mandacarú, próximo ao campo Juracizão, uma área bem complicada. Quando cheguei no local não encontrei ninguém e percebi que poderia ser uma emboscada. Antes de parar totalmente o carro, fiz a volta e fui embora. Já ouvi vários relatos de colegas que foram assaltados assim", contou.

Nos bairro dos Bancários, uma jovem criou um perfil falso no aplicativo, para pedir corridas em uma rua específica. Com informações que não levantavam suspeita, ela conseguiu atrair três motoristas. "Quando os colegas chegaram na rua, foram trancados por outros carros e assaltados. Com a repetição dos assaltos, o fato foi relatado no grupo e os outros ficaram alertas, para não atender os chamados dessa pessoa", lembrou Paulo Ricardo. Por conta da violência, várias regiões de João Pessoa já estão sendo evitadas pelos motoristas do Uber, que recusam os chamados.

Associação minimiza problema e mira taxistas

O presidente da Associação dos Motoristas de Transporte Privado, Paulo Queiroz, que representa os motoristas do Uber, minimizou a vulnerabilidade do sistema e disse que nem todos os condutores têm a prática de evitar comunidades consideradas perigosas. Ao falar da insegurança do sistema, ele mirou os taxistas como principal ameaça. "Os casos de assaltos que tenho conhecimento são em números comuns, assim como qualquer outro motoristas pode ser assaltado. O verdadeiro problema que temos enfrentado é a ação dos taxistas que, para nos colocar em risco, fazem pedidos de corridas falsos, mandando nossos motoristas para locais perigosos, em horários arriscados. Quando chegamos no endereço, não há nenhum passageiro e ficamos vulneráveis por alguns instantes", disse.

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