sábado, 19 de setembro de 2020

João Pessoa
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Trauma volta a reter macas e atendimento do Samu e Bombeiros fica prejudicado

Mislene Santos / 25 de outubro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Um problema antigo para o qual a solução não consegue ser encontrada. Quatro das sete macas das ambulâncias básicas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atendem a Região Metropolitana de João Pessoa, estavam retidas no Hospital de Trauma Senador Humberto Lucena na manhã desta terça-feira (25). O flagrante foi feito pela equipe do Correio Online. O supervisor de regulação do serviço, Rodolfo Romão, informou que a situação é recorrente e que o Trauma chegou a reter 11 macas de uma só vez. Em alguns casos, o equipamento só foi devolvido 48 horas depois.

“Com a superlotação do hospital, devido à falta de leitos, acaba acontecendo o processo de retenção. E essa retenção varia de acordo com o volume de atendimento do hospital. A devolução do equipamento também varia de acordo com esse movimento e pode perdurar até 48 horas”, declarou Romão.

Ele disse, ainda, que as macas do Samu são usadas para fazer a internação dos pacientes que são socorridos pelo serviço de urgência. “O paciente fica na maca até que surja um leito do hospital. Só quando isso acontece é que a maca pode ser liberada para a ambulância”, ressaltou Rodolfo Romão. Além das macas, outros equipamentos também estão sendo retidos pelos hospitais, informou ele.

Com isso, as ambulâncias ficam impedidas de atender ao chamado da população. “A unidade sem maca não tem como atender e nem remover ninguém e a explicação que a gente recebe do hospital para essa situação é a falta de leito devido a superlotação. É sempre a desculpa que nos dão e, infelizmente, a gente tem que esperar e ficar a mercê, porque não tem como tirar o paciente de cima da maca e deixá-lo no chão”, lamentou Rodolfo Romão.

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Central de João Pessoa atende 59 municípios

O coordenador administrativo do serviço, José Humberto explicou que a central do Samu de João Pessoa dispõe de 36 ambulâncias básicas e 13 avançadas para atender 59 municípios e que o tempo máximo de espera para a devolução dos equipamentos por parte dos hospitais é de 30 minutos, conforme estabelecido em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto em 2014 pela Promotoria de Saúde da Capital, devido ao problema que já existia na época. “A situação da retenção das macas se agrava no final de semana e se estende nos demais dias em volume menor.

Promotoria de Saúde acionada

José Humberto adiantou que foi feita uma notificação ao Ministério Público dando ciência ao caso. “Até porque a pactuação da espera de máxima de 30 minutos não vem sendo cumprida e isso está prejudicando o atendimento do Samu que fica sem condições de atender a população”, reclamou.

Macas dos Bombeiros também ficam

A retenção de macas não é uma exclusividade do Samu, as ambulâncias do Corpo de Bombeiro também estão ficando do Hospital de Trauma. O órgão dispõe de cinco ambulâncias e todas as macas ficaram retidas de uma só vez, conforme informou o sargento Valkirio.

“O que está acontecendo aqui é que temos muitas ocorrências e a maioria das vezes a nossa maca fica retida, porque o hospital não tem leito para colocar os pacientes. Às vezes demoram muito tempo para as macas serem liberada e a ambulância fica sem poder ir para as ocorrências, porque a maca está presa”, afirmou sargento que deixou o hospital sem a maca e a prancha.

Macas perdidas

Além da retenção das macas, a troca e até a perda prejudicam o atendimento à população. “Teve um caso em que a nossa maca ficou desaparecida uns três dias, porque foi levada por uma ambulância do interior e por acaso em uma ocorrência no Trauma nós conseguimos identificá-la e recuperá-la. Teve casos que perderam a maca e nós tivemos que adequar uma maca velha para poder atender aos chamados. Isso vem ocorrendo desde muito tempo e até agora ninguém tomou as providências”, declarou o soldado Jorge Barbosa.

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O Trauma

A reportagem do Correio Online entrou em contato com o Hospital de Trauma de João Pessoa, que chegou a enviar uma nota. Porém, na nota eles se limitam em dizer que "a direção do hospital ressalta que nenhum paciente deixou de receber o devido atendimento médico da equipe de multiprofissionais da instituição durante o final de semana. Segundo a Diretora Geral da instituição, Sabrina Bernardes, o final de semana foi considerado de muito fluxo em virtude do altíssimo número de quedas, acidentes de moto e de vítimas de AVC, o que necessita de observações médicas prolongadas, internações e procedimentos cirúrgicos emergenciais".

Contudo, na nota não há explicações sobre os motivos pelos quais as macas estão ficando retidas na Unidade.

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