terça, 12 de dezembro de 2017
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Tratamento especial: microempesária adapta negócio para atender autistas

19 de outubro de 2015
Foto: Rafael Passos
Quem tem um filho autista sabe que as tarefas mais simples podem se tornar muito estressantes, como, por exemplo, cortar os cabelos. A proprietária de um salão de beleza localizado no Ernesto Geisel, na Capital percebeu o drama de funcionárias e mães e resolveu promover palestras sobre transtorno do espectro autista (TEA) ou autismo. Ela encontrou um jeito de melhorar seu negócio, mas também de repassar conhecimento sobre o problema e diminuir o preconceito no meio onde vive. Cleysy Coutinho afirmou que já pesquisava sobre o transtorno antes, mas não estava sendo o suficiente. “Com as palestras, nós aprendemos que cada criança autista é diferente da outra. Antes, era mais difícil identificar se a criança era ou não autista. Elas choravam muito, se jogavam no chão, mas a gente ficava na dúvida se era ‘birra’ ou não. Geralmente as mães não se sentem a vontade de falar sobre o assunto. Acredito que elas estarão mais seguras para levar seus filhos em um lugar preparado para recebê-los”, declarou.

A funcionária pública Christiane Rodrigues costuma levar a sua filha autista, Luíza Rodrigues, 2 anos, para o salão da Cleysy.

Ela disse que logo percebeu os sinais do transtorno. “Eu tenho um irmão autista, então eu soube identificar nela as características: Luíza andava em círculos, não falava (não fala até hoje) não fixava o olhar nas pessoas e andava na ponta dos pés”, explicou. A primeira vez que ela foi cortar o cabelo não foi tranquila. “Eles vivem da rotina. Se saírem dela, eles se estressam. Sempre tinha muita criança nos salões. Agora marcamos um horário só pra ela. Ela também ficou estressada com a capa que impede que os cabelos passem para a roupa. Hoje as profissionais já não colocam a capinha, então fica bem tranquilo”, afirmou.

''Não tenho filho autista, mas me preocupo. No salão existem muitas coisas que podem estressar uma criança autista. Trabalhamos para nos adaptar a criança e fazer do jeito que é melhor pra ela.''

Cleysy Coutinho, Dona de salão de beleza.

Socialização é importante

De acordo com a psicopedagoga Juliana Arcela, uma criança autista pode passar por vários momentos de estresse. É um barulho que incomoda, um cheiro e até um toque. Então encontrar lugares capacitados para acolhê-las é essencial. A escola é um deles. “Infelizmente temos poucas escolas inclusivas no Estado, mas existem algumas que fazem um trabalho diferenciado. A escola é de extrema importância para uma criança autista porque trabalha a socialização, fora o aprendizado”, explicou.

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