terça, 01 de dezembro de 2020

João Pessoa
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Tragédia no Bessa: casal de idosos morre em incêndio

Bruna Vieira / 23 de janeiro de 2016
Foto: João Paiva
Um casal de idosos morreu em um incêndio no bairro do Bessa, em João Pessoa. O caso ocorreu na manhã deste sábado (23). Possivelmente, o fogo se originou em um santuário com velas, mantido no apartamento. Vizinhos arrombaram o local, mas, não conseguiram socorrê-los, devido à fumaça. Célia Lemos e Acrízio Souza foram encontrados carbonizados pelo Corpo de Bombeiros Militar. Da rua era possível ouvir os gritos de desespero de familiares. Uma delas teve que ser socorrida, pois passou mal com a retirada dos corpos.

Vizinhos relataram que o fogo teria sido percebido por ciclistas que passavam na Avenida Café Filho e viram a fumaça na janela do 4º andar por volta das 6h15 da manhã. O professor Antônio Sobreira, que mora no apartamento ao lado, tentou socorrer. “Senti cheiro de papel queimado, quando abri a porta havia muita fumaça. Tentei arrombar a porta e não consegui. Três ciclistas subiram e quebraram a porta da cozinha e da sala, mas, não tinha fogo. O cheiro estava muito intenso e não conseguiram entrar no quarto”, narrou.

O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado às 6h15 e às 6h18 chegou ao local. O fogo foi controlado. O casal era extremamente católico, o que justifica as velas. Uma das netas, gestante que estava no local também passou mal. O perito do Instituto de Polícia Científica, Lúcio Flávio de Almeida explicou que havia um quarto ao lado do quarto do casal, que funcionava como uma espécie de santuário, no qual o fogo começou. Todo o apartamento foi consumido.

“Ela não se movimentava muito, mas o via passeando com o cão todo dia. O fogo deve ter iniciado entre 5h30 e 6h. Porque às 6h20 as labaredas estavam altas e estourava os vidros” – Antônio Sobreira, vizinho.

Ato heróico

“Fomos acionados às 7h. Os corpos estavam no corredor de entrada. Com lesões de natureza de 2º e 3º graus. A causa só será revelada com o resultado dos laudos. Mas, os vestígios demonstram que foi a vela, porque estava tudo certo com a rede elétrica e o fogão. É cultural manter velas para o santinho. Ainda há muito calor no ambiente. Todos os moradores tiveram que ser evacuados, mas não há dano estrutural no prédio”, relatou Lúcio Flávio, da engenharia forense.

Foram mais de duas horas de perícia, para encontrar o foco e determinar a causa. O corpo do idoso de 87 anos estava mais necrosado, pois ele tentou proteger a esposa.“Ele poderia ter corrido porque a chave estava na porta, mas, o homem teve o ato corajoso de defender a mulher. Tentou controlar o fogo”, contou o perito.

Vizinhos assustados

O professor universitário Iedo Fontes, mora na casa ao lado do edifício, mas não dormiu em casa e ficou assustado quando chegou pela manhã e se deparou com a situação. “Eu via a fumaça e pensava que era na casa, só que a multidão olhava para cima e percebi que foi no prédio. É uma surpresa desagradável, um prédio que mora tanta gente e não conseguiu evitar. Talvez se tivesse um porteiro facilitasse. A rua é muito movimentada, só que no sábado as pessoas dormem mais”, comentou.

“As netas sempre ficam aí, mas hoje estavam só. Ninguém esperava por isso. Não dormimos mais. Sempre os via. Ficamos imaginando que fosse carregador, ventilador. Algum curto circuito” – Teófilo Cardoso, vizinho.

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