domingo, 17 de fevereiro de 2019
João Pessoa
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Progresso muda igrejas e de alguns templos antigos só restam relatos e fotos

Lucilene Meireles / 10 de fevereiro de 2019
Foto: Arquivo
Ao longo do tempo, com a chegada do progresso e a necessidade de ampliar os espaços urbanos, pelo menos quatro igrejas que existiam no Centro de João Pessoa tiveram que ser demolidas. Das antigas construções, restam apenas alguns registros fotográficos e os relatos de quem se aprofundou na história dos templos religiosos.

A última a ser extinta foi a Igreja das Mercês, há 74 anos. “A Igreja das Mercês foi demolida no ano de 1945. Ela ficava localizada bem no meio da Praça 1817, paralela à Assembléia Legislativa, com a frente virada para a Praça”, comentou Augusto Moraes, coordenador de Cultura da Arquidiocese da Paraíba.

Ele contou que, após a demolição, a igreja foi substituída pela construção atual. O novo templo que ganhou o mesmo nome fica na Rua Padre Meira, também no Centro da Capital, descida para a Lagoa.

Pouco conhecido, o primeiro templo a ser demolido, no entanto, foi a Igreja Ermida dos Presos, que ficava no prédio onde funcionou o antigo Cinema Municipal, na Rua Visconde de Pelotas, esquina com a Rua Barão do Abiaí. Em frente, conforme contou o coordenador, ficava a antiga cadeia pública. Desta igreja não existe nenhuma referência fotográfica. O templo foi demolido no século XIX.

Templo deu lugar a urbanização



Outra igreja que também deixou de existir foi a do Rosário dos Homens Pretos, que ficava no atual Ponto de Cem Réis. O prédio havia sido erguido no século XVIII. “Naquela época, existia a Irmandade do Rosário, que foi extinta porque o Brasil se tornou laico. Após a Proclamação da República, as irmandades foram se desfazendo”, ressaltou.

A Igreja do Rosário dos Homens Pretos foi demolida por conta da necessidade de urbanização e ocorreu no governo de Camilo de Holanda. “Ele achou por bem solicitar ao bispo e houve uma negociata. A igreja foi vendida à prefeitura, que demoliu e construiu outra. Aliás, todas as igrejas demolidas eram reconstruídas em outro local”, frisou. Augusto Moraes observou que existe uma controvérsia a respeito de sua substituição. “A Igreja do Rosário de Jaguaribe é de uma outra irmandade, mas alguns documentos apontam que ela é a substituta”, disse. A demolição ocorreu em maio de 1923 para construção da primeira praça que fez parte da urbanização do período. Só depois foi criado o Ponto de Cem Réis.

Demolida e reerguida



Em 1924, foi demolida a Igreja Mãe dos Homens, que ficava na Praça Antônio Pessoa, bairro de Tambiá. “Quando houve a urbanização da Lagoa em direção a Tambiá, a igreja ficava no meio da passagem. Foi demolida e substituída pela Igreja Mãe dos Homens de hoje”, lembrou o coordenador de Cultura da Arquidiocese da Paraíba, Augusto Moraes.

Ainda conforme os relatos históricos, em 1929 foi demolida uma igreja que ficava no Palácio da Redenção, a Igreja da Conceição. A medida foi tomada quando houve uma modernização do Palácio.

“Na verdade, a construção atrapalhava a ampliação do prédio que já havia sido a antiga Casa dos Jesuítas”. A igreja foi substituída pela Igreja da Conceição, que fica próximo ao Cemitério Senhor da Boa Sentença e foi inaugurada em 1930. LM

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