terça, 22 de outubro de 2019
João Pessoa
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Acaba prazo para desobstrução de calçadas no Centro

Ainoã Geminiano / 05 de abril de 2019
Foto: Assuero Lima
Faltando apenas seis dias para terminar o prazo de três meses recomendado pelo Ministério Público Estadual (MPPB) para desobstrução das calçadas do Centro de João Pessoa, a Prefeitura ainda não divulgou o que vai fazer com os ambulantes. Nas calçadas, os vendedores esperam por uma definição, já tendo apresentado à Prefeitura uma proposta de reordenamento. Eles querem reduzir para menos da metade a quantidade de ambulantes e usar barracas padronizadas.

Em janeiro deste ano, a 2ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Patrimônio Social da Capital emitiu uma recomendação para que a Prefeitura faça a remoção dos ambulantes, em um prazo de 90 dias, que termina na próxima quarta-feira, dia 10. No entanto, na quinta-feira (4) pela manhã a Secretaria de Comunicação Social de João Pessoa (Secom-JP) informou apenas que a Prefeitura ainda está dentro do prazo. A Secom não informou se a decisão é retirar os ambulantes ou fazer o reordenamento, permitindo a permanência deles nas ruas.

Segundo o presidente do Sindicato dos Ambulantes, Juarez Marques, há mais de um ano a entidade elaborou um projeto de reordenamento e entregou à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb). “Hoje existe um número flutuante de ambulantes, que variam de acordo com data festiva e outros fatores, entre 480 e 700 vendedores. Mas desse total existem cerca de 200 que realmente estão aqui o ano todo e atenderiam às regras de o reordenamento. Reduziríamos a quantidade de vendedores e passaríamos a ocupar apenas as calçadas mais largas de ruas já identificadas, que suportam recebem uma fileira de barracas padronizadas, sem comprometer a passagem dos pedestres”, explicou.

Juarez disse que tem percebido abertura da prefeitura para o diálogo, mas que nem eles sabem se a tendência é o reordenamento ou a retirada de todos os vendedores.

“Existe uma pressão forte dos logistas, dizendo que a gente atrapalha o comércio deles, por estarmos na frente das lojas. Mas a prática mostra que é o contrário. Nós é que atraímos as pessoas, que olham nossa mercadoria e em seguida entram nas lojas”, disse.

Sobre a recomendação do Ministério Público, os ambulantes concordam que precisa de uma intervenção, mas pedem que isso seja feito com um planejamento.

“De fato do jeito que está não tem como ficar. Tem muita gente e muitos que não se enquadram em um projeto viável. Nós só não queremos que a prefeitura tome decisões radicais como no passado recente, onde usaram a força contra nós e não nos deram alternativa”, acrescentou Juarez.

Comerciantes. Indicaram ruas onde poderiam ficar reordenados:

R. Santos Dumont

R. Santo Elias

R. 13 de Maio

Av. Almirante Barroso

Praça Aristides Lobo

“A saída é o comércio ambulante”

O principal argumento dos vendedores ambulantes para pedir que a Prefeitura aceite o reordenamento e permita que eles continuem nas ruas é o desemprego que afeta a população em todo País. “Antigamente as lojas empregavam jovens com menos de 18 anos e pessoas com mais de 25. Hoje em dia que tiver fora dessa faixa está sendo mandado embora ou não consegue emprego. E aí, o que essas pessoas vão fazer pra viver? A saída é o comércio ambulante”, disse Juarez Marques.

Wallace Freire de Araújo tem 66 anos e trabalha há 30 nas ruas. A pequena aposentadoria não é suficiente para se manter e a idade o coloca foram do perfil de candidato selecionável a uma vaga de emprego formal.

“É daqui que eu pago minhas contas. Tenho um filho especial que depende da minha ajuda e não sei como eu teria passado até agora se não tivesse na rua vendendo minha mercadoria”, disse ele, ao lado de duas caixas com água mineral e alguns molhos de chips para celular, que oferece em uma das esquinas mais movimentadas do Parque da Lagoa.

 

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