terça, 26 de janeiro de 2021

João Pessoa
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Praga urbana: o perigo que vem dos pombos

Bruna Vieira / 11 de março de 2017
Foto: Assuero Lima
Os pombos ganharam fama por simbolizar a paz há mais de 2 mil anos em referência ao Cristianismo, quando Jesus recebeu o batismo e pousou sobre ele o Espírito de Deus em forma de pomba. Em João Pessoa, eles habitam praticamente todos os espaços. Na Gerência de Vigilância Ambiental e Zoonoses (GVAZ) todos os dias há chamados para orientação do controle de pragas urbanas, que englobam pombos, roedores, caracóis e outras espécies. No ano passado, foram 432 atendimentos telefônicos.

No Ponto de Cem Réis não é preciso esperar muito tempo até que alguém os alimente. “Eu sempre observo o pessoal botando comida. Dizem que é muito ofensivo ao homem, que as fezes fazem mal. Muitos não sabem e alimentam com pena ou porque acham bonitos. No Centro, em todo canto tem, até na Lagoa, no Palácio”, contou o aposentado Edrisio Gomes da Silva.

Simples migalhas de pão são suficientes para que eles desçam em vôo e formem um tapete no solo. “Oriento meus filhos que os pombos são bonitos, mas, não podemos dar comida. É um símbolo que está por toda a cidade, mas, é preciso cuidado”, disse Rosa Maria da Silva Santos, atendente de telemarketing.

“Tem um senhor que joga restinho de pão todo dia. Nem todo mundo sabe que transmitem doenças e que as fezes são perigosas. Eu sei porque estou sempre estudando, logo aprendi”, relatou o fotógrafo Alexandre Rodrigues.

Vigilância orienta

Segundo Fabrício de Souza, técnico de vigilância em saúde da GVAZ, é preciso cortar as fontes de alimento e abrigo. “A praia deveria ser onde deveria ser menos favorável e não é. Eles precisam comer e descansar. As doenças são transmitidas pelas fezes, que podem conter ou não contaminação. De tudo eles comem e há a cultura das pessoas, muitos aposentados dão milho nas praças. Prédios são um problema, no Quartel do Comando Policial, mercados públicos, o Hospital Universitário, em que a arquitetura favorece. Além de qualquer estrutura metálica (calha). Outro grande problema é o lixo mal acondicionado, que facilita o aparecimento de outras espécies, como ratos, baratas, escorpiões e moscas. Fazemos trabalhos educativos com os síndicos para que oriente os condôminos e também em supermercados”, elencou.

"A gente recomenda que sempre que for feita higienização dos locais onde há pombos, que seja utilizado equipamento de proteção individual. Como nossa região tem clima quente, as fezes ressecam rápido, levantando a poeira. É preciso dificultar o pouso. Passar fios ou pregos nas caixas de ar condicionado, onde eles gostam de fazer ninho, já que não podem fazer em árvores, por serem pouco resistentes", Ivanete Marques, bióloga da GVAZ

 

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