sábado, 20 de julho de 2019
João Pessoa
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Painéis de arte no centro João Pessoa estão sem manutenção

Lucilene Meireles / 12 de abril de 2019
Foto: Assuero lima
Os painéis artísticos, que conferem beleza e cor ao cenário de concreto da cidade de João Pessoa, não têm recebido a devida atenção dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico. Em julho de 2018, representantes da Coordenadoria do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac), Autarquia Municipal Especial de Limpeza Urbana (Emlur) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) anunciaram parceria em um projeto de manutenção permanente para garantir a limpeza e manutenção destes murais. Porém, nove meses depois, a ideia não saiu do papel. A previsão é que a promessa seja cumprida no segundo semestre.

Um exemplo à vista de toda a população são os painéis e toda a cerâmica sob o Viaduto Dorgival Terceiro Neto (Terceirão), que dá acesso ao Varadouro. Por toda sua extensão, as obras do artista plástico Chico Ferreira estão cobertas de sujeira e fuligem. A cerâmica também está pichada em diversos pontos. Outra obra que há anos não recebe manutenção está localizada na antiga sede da Prefeitura, na Rua Cândido Pessoa. Assinada pelo artista plástico Flávio Tavares, o painel está totalmente pichado.

A coordenadora de Arquitetura do Iphaep, Gabriela Pontes Monteiro, explicou que, mesmo tratando-se de limpeza, a manutenção requer um mínimo conhecimento sobre as obras para efetuar os procedimentos adequados para cada tipo de material. “Temos em planejamento colocar esse programa em prática ainda este ano, mais provavelmente no segundo semestre. Está faltando finalizar a atualização do levantamento de todos os monumentos da cidade, com informações sobre o estado real de conservação de cada um, e suas características como materiais, tipos de bases e pedestais, e dimensões”, explicou.

Gabriela destacou que a demora acontece porque o plano de limpeza deve estar compatível com o inventário dos monumentos, pois toda a logística deve ser bem estudada. “

Por exemplo, estão sendo levantadas as alturas das peças para prever andaimes ou caminhões para o acesso do agente de limpeza ao monumento. Em alguns casos precisará de maquinário para jato de água, e em outros como no viaduto, deverá estar previsto o bloqueio da via, ou de faixas de rodagem, que deve ser ajustado com a Semob (Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana)”.

Cronograma anual

As localizações e informações sobre os monumentos estão sendo passados para uma base georreferenciada pela Emlur. Isso permitirá a elaboração do cronograma de ação de acordo com agrupamentos de obras quanto a regiões e tipos de procedimentos de limpeza, conforme os materiais dos monumentos.

Conforme a coordenadora de Arquitetura do Iphaep, Gabriela Monteiro, o papel do Instituto é auxiliar na disponibilização das informações sobre as obras sob proteção do órgão, principalmente as localizadas no Centro Histórico, além da atualização do levantamento pré-realizado.

Além disso, segundo ela, a equipe de restauração do Iphaep está elaborando um curso de capacitação de agentes de limpeza, que serão selecionados pela Emlur, para uma formação sobre patrimônio cultural e procedimentos de limpeza para cada tipo de material, pois o tratamento de azulejos é completamente diferente de uma escultura de bronze, ou de concreto.

“Vale ressaltar que quanto às pichações, em muitos casos, não será possível sua remoção apenas com limpeza, pois se trata de uso de procedimentos abrasivos, com uso de produtos químicos específicos que só podem ser aplicados por profissionais capacitados. Mas, de toda forma, este plano de limpeza deve ser feito com todo o planejamento possível para poder se tornar efetivo”, observou. Ela acrescentou que é um cronograma anual que será replicado assim que iniciar.

Este cronograma vai auxiliar os órgãos de preservação quanto à atualização constante do estado de conservação dos monumentos. Só então, serão realizadas as fiscalizações devidas, cobrando dos responsáveis a adequada restauração da obra sempre que for o caso.

Silêncio. O CORREIO não conseguiu contato com o coordenador do Patrimônio Cultural de João Pessoa (Copac), Cássio Andrade. A Emlur também não deu retorno.

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