quarta, 19 de junho de 2019
João Pessoa
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Obra na barreira do Cabo Branco está atrasada

Ainoã Geminiano / 10 de abril de 2019
Foto: Assuero Lima
A Prefeitura de João Pessoa anunciou em dezembro do ano passado que havia recebido o empenho de R$ 65 milhões do Governo Federal, para executar o projeto de contenção da erosão na barreira do Cabo Branco. A previsão era que, com o dinheiro garantido, faltava apenas alguns trâmites legais como celebração de convênio o processo de licitação. A previsão da Secretaria de Planejamento Municipal era que tudo estaria pronto em abril. No entanto, o prazo previsto já foi alcançado, com o calendário chegando hoje ao centésimo dia de 2019 e nenhum sinal de obra próximo à barreira do Cabo Branco.

O comerciante Antônio Manoel da Silva, mora no Altiplano e há 20 anos trabalha na Praça de Iemanjá. Com tristeza, ele lembrou do tempo em que vendia 600 cocos por dia, foram outras mercadorias.

“Aqui era um dos pontos preferidos da cidade para passeio. Fim de tarde essa praça ficava lotada de carros, o ponto final do ônibus era aqui na frente e muita gente vinha pra cá todos os dias. No dia de Iemanjá, aqui virava uma festa que nem fim de ano. A praça ficava cheia de mesas, era muita gente, muita gente mesmo. Hoje isso aqui é um cemitério de praça. Às vezes aparece duas ou três pessoas numa manhã inteira, porque está de passagem, caminhando pela areia da praia. Foram os malandros que se aproveitam do lugar esquisito em que se tornou”, lamentou ele, reclamando do abandono do local. Um desses raros visitantes que foram esta semana à Praça de Iemanjá foi o fisioterapeuta Marcone Almeida, que fazia caminhada na orla durante a manhã.

“Vir aqui e ver essa destruição nos causa um sentimento de muita tristeza. A quanto tempo se fala no problema dessa erosão e os gestores públicos não fazem nada? Muito triste isso, em um dos nossos principais cartões-postais”, desabafou.

Projeto. Em dezembro, a Prefeitura publicou um vídeo com uma simulação, mostrando em detalhes as intervenções que seriam feitas para reduzir o impacto do mar na falésia. O projeto prevê a construção de gabiões em toda área do entorno da barreira, indo da praia do Seixas até Cabo Branco. Também prevê o alargamento da faixa de areia entre o mar e a falésia, preenchimento das escavações que o mar já fez na costa da barreira. A segunda parte do projeto prevê o plantio de vegetação de raízes profundas, na parede da falésia, para conter o efeito dos ventos na erosão.

Ambientalista contestam. O projeto apresentado pela Prefeitura não é unanimidade entre os especialistas. O ambientalista e ex-secretário de Meio Ambiente da Prefeitura, Antônio Augusto Almeida, se disse contrário ao projeto, porque altera a paisagem natural, com o engordamento da faixa de areia. “É uma obra caríssima e já não se usa isso em muitos países. O uso de arrecifes artificiais é uma técnica usada nos projetos modernos, de baixo custo, reduz consideravelmente o choque das ondas na base da falésia, além de ajudar na recuperação da vida marinha”, explicou.

Segundo ele, a orla do Nordeste tem um cordão natural de arrecifes, inclusive em Cabo Branco, mas que ficou desgastado com a agressão do homem. “Em frente ao Cabo Branco tem um cordão de arrecife a cerca de 800 metros da praia. A proposta que sempre defendemos é recuperar o arrecife, complementando com pedras. Todas as experiências desse tipo no mundo foram bem-sucedidas”, acrescentou Antônio Augusto Almeida.

Sem contato. Durante toda manhã e tarde dessa terça-feira (9), o CORREIO tentou ouvir a secretária de Planejamento do município, Daniella Bandeira, responsável pelo projeto. No entanto, até o fechamento desta edição não conseguimos contato.

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